São Paulo - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta terça-feira que as demissões dos 42 metroviários que participavam da greve da categoria foram motivadas por atos de vandalismo, e não pela paralisação.
O sindicato nega qualquer ato de vandalismo desde o início da greve, na última quinta-feira, e diz que as acusações fazem parte de uma tentativa de jogar a população contra a categoria.
Alckmin também voltou a negar a possibilidade de rever as demissões. Na segunda-feira, os metroviários decidiram voltar a trabalhar por dois dias. Nesta quarta, a categoria decide se retoma a greve no dia da abertura da Copa do Mundo, caso o governo não volte atrás.
"As demissões ocorridas não foram em razão de greve. Elas foram em razão de outros fatos, e fatos graves, como invasão de estação, de depredação, vandalismo", afirmou o governador. Alckmin disse ainda que o governo não pretende demitir nenhum outro metroviário. "Voltando ao trabalho não tem nenhuma demissão. O governo não quer demitir ninguém. Agora, o governo tem o dever de garantir [transporte] às 5 milhões de pessoas que querem trabalhar e que precisam do metrô."
O Metrô não divulgou os nomes dos funcionários demitidos e a razão de cada punição, mas afirmou que todos participaram de arrombamentos de portas e cadeados de estações, forçaram a saída de passageiros dos vagões e usaram o aviso sonoro das estações de forma indevida.
A empresa diz que houve casos de agressão a funcionários que estavam trabalhando e que um empregado teve a perna quebrada. Afirma ainda ter boletins de ocorrência, imagens e testemunhas do ocorrido.
Camila Lisboa, de 29 anos, diretora de base do sindicato dos metroviários e uma das demitidas, nega que tenha havido vandalismo. "O que a gente fazia era o seguinte: o trem parava e a gente ficava na porta do trem pra ele não andar. Desafio o governo a apresentar alguma prova", disse.
Nesta quarta-feira, uma nova reunião entre representantes dos metroviários e do Metrô deve ocorrer no Ministério Público do Trabalho. A categoria quer que os 42 funcionários sejam readmitidos. Às 18h30, a categoria fará uma assembleia para decidir se retomam a greve. Caso isso aconteça, porém, a Justiça do Trabalho pode elevar o valor de R$ 900 mil já bloqueado de contas do sindicato em razão da greve.

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