Demissão de Lopes foi operacional e técnica, afirma FHC
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Por Beth Cataldo e Paula Puliti (especial para a Agência Estado) 
Brasília, 20 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse em entrevista coletiva encerrada há pouco, que a demissão de Francisco Lopes da presidência do Banco Central foi uma "decisão operacional e técnica". O presidente reiterou que a decisão de substituir Lopes foi sua, e que passou por uma consulta ao ministro da Fazenda, Pedro Malan. Disse também que esta decisão não foi tomada "em função de qualquer alegação". "Nunca tive nenhuma informação desabonadora sobre Chico Lopes"
insistiu o presidente Fernando Henrique, embora tenha evitado, em toda a entrevista, avaliar o teor das acusações contra o ex-presidente do BC.
Fernando Henrique insistiu que estão em curso três investigações, mencionando a da CPI dos Bancos, a do Ministério Público e a da Polícia Federal. "Até agora são hipóteses", disse ele, referindo-se às acusações contra Chico Lopes. O presidente defendeu a realização dessas investigações e deixou claro que, se houve mau uso do dinheiro público, os responsáveis devem ser punidos. Ao ser indagado sobre as informações publicadas na imprensa que envolvem Francisco Lopes e a Macrométrica numa suposta venda de informações privilegiadas, o presidente fez questão de mostrar seu distanciamento em relação à Macrométrica. "Nunca li um boletim da Macrométrica. Eu não sei o que é a Macrométrica."
Para FHC, as revelações que estão sendo feitas não vão ter efeito negativo na recuperação econômica do Brasil. Segundo o presidente trata-se de um problema isolado e "de polícia", que não tem nada a ver com a economia brasileira. Ao longo da entrevista coletiva em Londres, FHC ressaltou a importância de serem respeitadas, nas investigações, todas as instâncias da democracia, ou seja, o presidente insistiu que se respeite o processo democrático de fazer as investigações, apurá-las e acionar os tribunais.
Ele quis deixar claro, também, que é preciso aguardar os resultados das investigações. "O resto é ansiedade, que eu compreendo, mas não compartilho", afirmou. Ainda em relação às denúncias sobre Lopes, tema que dominou a entrevista coletiva, FHC afirmou que o presidente da Repúblcia não é polícia e que se o presidente tivesse esse papel, seria criado um Estado policial no Brasil. FHC insistiu que neste momento de tensão política gerada pelas denúncias, "temos que ter equilíbrio, não podemos precipitar julgamentos". E voltou a ressaltar que não quer encobrir nada.


