São Paulo, 17 (AE) - O sistema elétrico interligado do País registrou, na semana passada, três recordes sucessivos de demanda por eletricidade no horário de ponta - o período entre 18 e 20 horas, em que ocorre um pico da utilização de energia eletrica. De acordo com o secretário de Energia de São Paulo, Mauro Arce, os picos de demanda podem ser atribuídos a uma concentração da utilização da eletricida nas residências, típicos deste horário, com a demanda para a iluminação pública, que tem começado mais cedo, acompanhando o pôr do sol.
Dados do Operador Nacional do Sistema Élétrico (ONS), órgão que administra a operação do sistema interligado, revelam que a demanda por energia em todo o País atingiu, na segunda-feira (dia 10), a marca recorde de 54,045 mil megawatts (MW) no horário de ponta. Na terça-feira (dia 11), essa marca foi superada, atingindo-se uma demanda total de 54,135 mil MW. Na quinta-feira (dia 13), às 18:36 horas, foi registrado o último recorde, de 54,4 mil MW.
Segundo Mauro Arce, a sucessão de recordes não está representando riscos para o sistema elétrico - um pico muito grande do consumo pode sobrecarregar o sistema e provocar o desligamento de máquinas geradoras das usinas, interrompendo o suprimento. "Apesar dos números crescentes, tem sido garantida ao sistema uma reserva de geração de energia de 2,135 mil MW, com máquinas prontas para entrar no sistema em caso de emergência."
De acordo com o secretário, a retomada da atividade industrial, com o consequente crescimento do uso de energia pelas indústrias paulistas, não está influindo significativamente o crescimento da demanda no horário de ponta. "As indústrias têm ficado fora deste horário, já que normalmente as tarifas cobrada pela energia no período são até três vezes maior que em outros horários."
Balanço - O consumo de energia elétrica no Estado de São Paulo apresentou um crescimento de 6,1%, no primeiro trimestre, ante o mesmo período do ano passado, informou Arce. Em todo o Estado, foram consumidos 23,64 mil gigawatts-hora (GWh). Segundo o secretário, o crescimento foi puxado pelas vendas de energia elétrica aos setores industrial e comercial, que apresentaram, respectivamente, um aumento do consumo de 8,1% (9,81 mil GWh) e de 10% (4,209 mil GWh) no período. O consumo das residências foi de 6,892 mil GWh no trimestre, o que significa uma elevação de 3 5% em relação a 1999.
"Houve uma mudança acentuada no comportamento da indústria no que se refere ao consumo de energia elétrica", afirma Arce. No primeiro trimestre de 1999, as distribuidoras de energia que atuam no Estado de São Paulo haviam registrado uma retração de cerca de 5% no uso de energia pelas indústrias. "Com a persistência do crescimento da demanda industrial, se elimina eventuais interferências de fatores sazonais e torna-se evidente que existe mesmo uma tendência à recuperação da atividade desse setor." IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS POLíTICOS 1

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