Foz do Iguaçu, PR, 14 (AE) - Fabricantes de equipamentos e operadoras de telefonia fixa e celular reunidos em Foz do Iguaçu, no Futurecom 2000, seminário internacional e feira de negócios do setor de telecomunicações, estão otimistas com a explosão do mercado brasileiro especialmente no setor de telefonia móvel. As indústrias instaladas no País afirmam que estão recebendo encomendas muito acima das expectativas do ano passado e se esforçam para acelerar a produção a tempo de aproveitar este que já é considerado o "ano dourado" das telecomunicações. Revisando constantemente as projeções para este ano, algumas empresas já acreditam que o número de telefones celulares em uso no País deverá dobrar este ano.
No ano passado foram vendidos no País 2,8 milhões de celulares, elevando o número de assinantes para 7,5 milhões. As projeções iniciais para este ano eram de 4,5 milhões de novos celulares vendidos, mas o número já foi revisto para 5 milhões, em seguida para seis milhões e agora já há empresas apostando em 8 milhões de novos aparelhos colocados no mercado. As empresas de celular estão fazendo um esforço adicional para crescer enquanto a concorrência não chega ao serviço de telefonia fixa, já que a entrada das empresas-espelho também deverá ampliar a oferta dos telefones convencionais, com fio.
Além da queda nos preços em função da concorrência cada vez mais acirrada, estão contribuindo para ampliar o mercado a recuperação da economia após a crise enfrentada no final do ano passado e início deste ano e o lançamento do sistema de prestação de serviços pré-pagos. A expansão da oferta já eliminou a demanda reprimida existente até o ano passado e está derrubando os preços, que no passado já chegaram a cerca de R$ 5 mil no mercado paralelo. Hoje um aparelho pré-pago é vendido até em supermercados por cerca de R$ 400.
A Ericsson, que em 98 passou a liderar o mercado, ultrapassando a Morotora, trabalha em três turnos de produção desde março. A empresa deverá produzir 2,5 milhões de unidades este ano, contra um milhão no ano passado. "Está difícil aceitar novos pedidos a curto prazo, devido à grande procura registrada nos últimos meses", comenta Aldo Moino, gerente de marketing da empresa. A Motorola e a Ericsson enfrentam a concorrência de novas marcas que estão entrando no mercado, como as coreanas Sansung e LG e a americana Qualcomm, entre outras.
"O serviço pré-pago está se popularizando e levando o celular para a base da pirâmide social, onde o mercado é muito maior", comenta o diretor geral da unidade de telecomunicações da Gradiente, Sidnei Brandão. "A partir de agora haverá promoções especiais em todas as datas comemorativas, e isso vai popularizar cada vez mais o serviço." A grande preocupação das empresas agora é estimar qual será a taxa de penetração do celular no mercado brasileiro, ou seja, a relação entre o número de aparelhos e a população. O percentual era de 2% no início de 98 e subiu para 4% em dezembro. Segundo levantamento feito pelas indústrias o índice já chega a 6,5% e pode chegar a 10% no fim do ano.
Até recentemente, as projeções indicavam que a taxa só chegaria a 10% em 2001. Em países europeus e nos Estados Unidos o percentual é de 30% em média. Na Finlândia, já chega a 50%, o que indica que o celular já está deixando de ser apenas um telefone móvel para ganhar status de telefone pessoal.
"Fica difícil fazer qualquer previsão para os próximos anos sem correr sério risco de erro", comenta o diretor da Gradiente. "A venda vinha crescendo desde o início do ano e literalmente explodiu nos últimos dias, desde as promoções do Dia das Mães e Dia dos Namorados", comenta Gilson Rondinelli, diretor de negócios e redes da Telesp Celular. A empresa espera vender um milhão de aparelhos este ano, elevando o total de assinantes para 2,8 milhões. A BCP, operadora da banda B em São Paulo e Nordeste, chegou a enfrentar problemas com a falta de aparelhos no início do ano, após o sucesso da promoção de Natal, quando a habilitação caiu a zero pela primeira vez na história do mercado brasileiro. "Com certeza o segundo semestre será ainda melhor que o primeiro", comenta Arnaldo Tibyriçá, diretor executivo da empresa. Os executivos do setor são unânimes em prever dias cada vez melhores não só para as indústrias e operadoras mas principalmente para os usuários dos serviços, que poderão lucrar com descontos, ofertas e tarifas promocionais.

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