São Paulo, 03 (AE) - A indústria de alimentos - exibindo gordos resultados desde o princípio do ano - continua firme na escalada ascendente. Em junho, a produção física cresceu 1,7% sobre o mês anterior e fechou 3,1% superior se comparada ao mesmo período do ano passado. O desempenho do semestre também surpreendeu o setor. A variação ficou em 2,5%, quando a projeção do início do ano era chegar no máximo a 1,5%. Idêntico período do ano passado ficou negativo 2,4%.
O acumulado dos últimos doze meses, que até maio estava na casa dos 5%, mais uma vez subiu batendo nos 7,1% em relação aos últimos doze meses imediatamente anteriores. "A demanda continua firme", afirma Dênis Ribeiro, economista da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia).
Os bons resultados obtidos pelo segmento permite à Abia refazer as contas para cima. A previsão, em meados de janeiro, de encerrar 1999 com crescimento de 3% cai por terra. "A firme demanda aponta para um acréscimo de 5% ou até acima", aposta. Se a produção física atingir taxas nesses níveis, explica, trata-se de um "excelente resultado" considerando que no ano passado a indústria de alimentos superou todas as expectativas e encerrou o ano de 1998 com crescimento da produção física de 4 96% e uma receita de US$ 73,5 bilhões ante os US$ 70,2 bilhões, registrados no ano anterior. "Será um aumento sobre bases altas", acrescenta.
No princípio de 1998 a projeção era de um aumento máximo de 2,5%, chegando a refazer os cálculos para baixo, no início do segundo semestre, quando estimou resultado negativo de 0,5%. Queda das taxas de juros e inflação somada à estabilidade são dados, que na opinião de Ribeiro são os responsáveis pelo bom andamento dos negócios. "Os negócios voltaram a fluir rapidamente em resposta aos sinais de estabilidade", acredita o economista.
As vendas nos supermercados brasileiros, em junho, ao contrário, caíram. Dados divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) mostram que o setor registrou queda real de 3,34% sobre o mês anterior. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a retração foi mais amena, ou seja, 0,73%. Com isso, as vendas acumuladas nos primeiros seis meses de 1999 apresentaram recuo de 1,34% em relação ao mesmo período do ano passado.
Para o presidente da Abras José Humberto Pires de Araújo, o resultado negativo em relação ao mês anterior deveu-se ao fato de junho possuir um final de semana a menos que maio. No entanto a relativa queda de 0,73% sobre o mesmo mês de 1998 continua sendo influenciada pelo poder retraído de compra do consumidor. Ainda assim, Pires de Araújo estima crescimento de 5% neste ano sobre 1998.

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