Tóquio, 13 (AE-AP) - A violência entre as crianças japonesas nas escolas cresceu 24% no último ano letivo, atingindo um patamar recorde, anunciou o governo nesta sexta-feira (13). De acordo com o funcionário do Ministério da Educação do Japão, Akira Kusume, o aumento dessa estatística é, principalmente, resultado da nova pesquisa de diretrizes que explicitamente pede as escolas para incluir os casos menores de violência em seus relatórios. Às escolas foi solicitado o registro de todas as ocorrências, desde confusões nos pátios até casos de depredação de móveis e instalações. Contudo, Kusume disse que os atos sérios de violência estão crescendo e que a deterioração na relação entre estudantes e professores e as tensões na família são as principais causas do problema. O Ministério da Educação, que costuma emitir o relatório sobre violência nas escolas em dezembro, antecipou em cinco meses a divulgação dos dados de 1998 por causa da pressão exercida por parte da sociedade, preocupada com os sinais de crise do sistema escolar. Além disso, o abuso de drogas e álcool por parte dos jovens vêm crescendo. Dados do governo mostram, por exemplo, aumento no número anual de detenção de menores por delito com drogas em Tóquio para acima de 1,5 mil. Ontem (12), o governo informou que a prática de matar aula cresceu 21,1% no último ano letivo, atingindo o seu patamar mais alto - um em cada 43 estudantes do primeiro ano colegial deixa de assistir um total de 30 dias de aula do ano acadêmico. Cerca de 15 milhões de crianças frequêntam as escolas públicas do Japão. O aumento da violência provoca uma preocupação particular no país, que por muito tempo orgulhou-se de ter um dos sistemas educacionais mais efetivos do mundo. No relatório, o Ministério da Educação informa a ocorrência de 35.246 casos de violência protagonizados por estudantes do primário e do colegial no último ano escolar, de abril de 1998 a maio de 1999. Nesse período foram registrados cerca de 18.400 casos de violência entre estudantes e 4,5 mil incidentes dirigidos contra os professores. Também foram notificados cerca de 10.400 casos de vandalismo. Estudantes do primeiro ano colegial cometeram os atos mais violentos, com 26.800 casos registrados. Os estudantes do colegial vêm em seguida com 6.700 casos, seguidos pelos alunos do primário, com 1.700. Para os especialistas em educação, a crescente falta de objetivos dos jovens japoneses está levando-os em direção à violência. "Na sociedade próspera de hoje, os jovens japoneses estão cheios de desejos não definidos", disse Takashi Ota, um professor de educação da Universidade de Tóquio. "Qualquer razão trivial pode desencadear uma resposta de forma violenta", completou. O Japão está cada dia mais alarmado com o recente aumento da delinquência juvenil. Um canivete com lâminas nas duas pontas, conhecida como "borboleta", é a última moda entre os jovens. Takao Mori, um especialista em educação da Universidade de Ochanomizu, disse que a crise é resultado da forma como os pais estão criando seus filhos. "Os pais tornaram-se muito permissivos e, ao mesmo tempo, eles não vêem a educação dos filhos como uma prioridade em suas vidas", disse.

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