DELICIOSAMENTE NOCIVOS
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segunda-feira, 06 de novembro de 2006
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Antes de colocar a próxima colherada de açúcar ou mais gotinhas de adoçante no cafezinho, pare e pense - quanto você consome dessas substâncias por dia? Em excesso, o açúcar colabora para a obesidade e para o desenvolvimento da diabetes tipo 2, fatores relevantes na síndrome metabólica, origem de problemas cardiovasculares. Alternativa para o açúcar, os adoçantes ainda são motivo de controvérsia, pela falta de pesquisas que comprovem efeitos danosos ao organismo.
Do ponto de vista nutricional, o açúcar refinado não faz falta nenhuma. Sem vitaminas ou qualquer outro nutriente, é chamado por especialistas de caloria ''vazia'', porque não acrescenta nada à nutrição, só ''engorda''. Uma colher de açúcar refinado equivale a 80 calorias.
Segundo Anne Cristine Rumiato, coordenadora da clínica de nutrição da Universidade Norte do Paraná (Unopar), o organismo não tem necessidade de açúcar, até porque a substância já está presente em outros alimentos, como frutas, bolos, pães e arroz. O açúcar refinado serve só para reforçar o sabor doce de alguns alimentos, como sucos. Mas isso é uma questão de paladar.
O mesmo sabor não se consegue com adoçantes, sejam eles sacarina, ciclamato, acessulfame-k, aspartame ou sucralose. As substâncias obtidas por processamento químico têm alto poder edulcorante, e são opções importantes para pessoas com diabetes, que não devem comer açúcar, ou nos regimes de emagrecimento. No entanto, é preciso cautela no seu consumo, até mesmo no caso da stévia, proveniente de uma planta, e considerada, por isso, natural.
Para a nutricionista Débora Sorgi, de Londrina, não é preciso proibir o uso de adoçantes, mas moderar, até porque são substâncias que se acumulam no organismo. Se além das gotinhas, há consumo de produtos diets e lights, a quantidade de edulcorante será grande ao final do dia. ''Não proíbo, mas peço cautela. Se a pessoa consome suco em pó, iogurte, gelatina, refrigerante, tudo light, e ainda o adoçante no café e no suco, é bom se auto-avaliar e ver se não está consumindo muito'', afirma.
Ainda não há pesquisas que apontem efeitos no organismo pelo uso contínuo, mas outras já limitam o consumo diário, por conta do risco de câncer e alterações cerebrais, como perda de memória. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a ingestão diária de adoçantes deve ser limitada. (confira quadro)
Cada pessoa deve multiplicar o seu peso por aqueles números para obter o valor diário máximo recomendado pela OMS. Uma pessoa de 60 kg, por exemplo, poderia consumir por dia no máximo 2.400 mg de aspartame. ''É uma quantidade grande. Ninguém consome isso'', comenta Débora.
O ideal, segundo ela, é usar fórmulas em que há dois ou mais tipos de edulcorantes combinados, o que diminui a quantidade de cada um no resultado final. ''Há estudos que apontam que o 'casamento' de substâncias aumenta o poder adoçante e a pessoa acaba usando menos do produto''. Outra alternativa é fazer um rodízio das substâncias utilizadas.
Os edulcorantes não são recomendados para crianças e gestantes, justamente porque não há comprovação de malefícios. ''Mas no caso de crianças obesas ou gestantes diabéticas, a gente também acaba usando (adoçante) com moderação'', afirma Débora.


