Delfim diz que reação das exportações já começou
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domingo, 17 de outubro de 1999
por Milton F. da Rocha Filho 
São Paulo, 18 (AE) - Os exportadores brasileiros de alguns setores industriais estão registrando ganhos de até 40% em suas vendas externas, avaliou hoje o deputado e ex-ministro Delfim Neto (PPB-SP) em entrevista à Agência Estado. Em sua opinião, a reação já começa ocorrer com o aumento do volume das exportações, apesar da dificuldade do Brasil num setor em que o país enfrenta forte concorrência da Coréia. "Para tirar um coreano do lugar é díficil; por isso tem que se lutar muito e buscar negociar", disse Delfim. De qualquer forma, o dólar entre R$ 1,92 e R$ 1,93 facilita os negócios para os exportadores nacionais. "Creio que com as exportações avançando, como há indícios claros de que isto ocorre, a tendência é da economia melhorar no geral", afirmou. Delfim Neto entende que o principal problema para as empresas nacionais está na falta de capital de giro. Sem um capital de giro que dê condições para que a empresa tenha infraestrutura fica díficil exportar ou mesmo vender no mercado interno. O comentário de Delfim foi em relação à pesquisa da Federação das Indústrias do Estado (Fiesp), em que os empresários responderam que o principal problema que possuem hoje é a falta de recursos para o capital de giro.
Analisando a crise na Bolsa de Nova York, o deputado e ex-ministro Delfim Neto (PPB-SP) observou que realmente Alan Greenspan (presidente do Federal Reserve) está buscando eliminar a bôlha da supervalorização que há na Bolsa. "Isto ele está fazendo gradualmente, lentamente, para evitar problemas, e está conseguindo. Os americanos têm o temor da inflação voltar. Ficam apavorados com a ameaça de aumento de juros. Isto tudo serve para se dissolver a bôlha. Veja que as quedas recente na Bolsa de Nova York são um exemplo disto", comentou. Para Delfim Neto, a posição do presidente do Federal Reserve, o Banco Central americano, é correta. "Ele está procurando reduzir o impacto da valorização, reduzindo-a de forma lenta, para evitar maiores problemas". Segundo o deputado, os americanos ficam preocupados com a redução dos seus patrimônios. "É um patrimônio virtual formado em cima dos papéis negociados nas bolsas e com participações em fundos de investimentos. Esta é a realidade do que ocorre nos Estados Unidos. Há o pavor de se perder patrimônio. O próprio Greenspan vem alertando para que os grandes fundos criem reservas para segurar o impacto da volta aos preços normais", disse Delfim. Desde 25 de agosto, quando chegou ao seu ponto máximo, a Bolsa de Nova York já perdeu 11 5%.


