Maceió, 15 (AE) - Os delegados Antônio Carlos Lessa e Alcides Andrade disseram hoje que, na próxima semana, entregam o inquérito sobre as mortes do empresário Paulo Cesar Farias, o PC
e da namorada dele, Suzana Marcolino, pedindo o indiciamento do deputado federal Augusto Farias (PPB-AL), irmão do ex-tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello. "Já temos elementos suficientes para indiciar Augusto Farias, mas precisamos checar algumas informações para não ficarem dúvidas no envolvimento do deputado neste caso", afirmou Andrade, acrescentando que não poderia fornecer maiores detalhes para não facilitar a defesa do parlamentar.
"Entre os elementos que comprovam o envolvimento do deputado na morte do irmão, está a coação de testemunhas", afirmou Andrade.
Os dois delegados fizeram esses comentários quando voltavam de Pão de Açucar (AL), onde foram ouvir os depoimentos da prima e de um amigo de Suzana. Segundo eles, os dois depoimentos comprovam que a namorada de PC não tinha tendência suicida e não pensava em acabar o relacionamento com o ex-tesoureiro. "Ele a enchia de presentes e gostava muito dela", afirmou a prima ¶ngela Maciel, sobre o relacionamento dde Suzana com PC. "Suzana não tinha tendência suicida, estava superbem com Paulo César Farias e tinha planos para ampliar seus negócios em Maceió, abrindo uma nova loja de pronta entrega no setor de confecções", afirmou ¶ngela, no depoimento aos delegados.
Lessa e Andrade ouviram também o depoimento do amigo de Suzana Élcio Rodrigues Lima, que dividiu um apartamento com ela durante três anos. ¶ngela e Élcio prestaram depoimento em Pão de Açucar, cidade onde Suzana passou a juventude e que fica no Sertão alagoano, a 246 quilômetros de Maceió.
Para os delegados, os dois depoimentos contrariam o laudo sobre o perfíl psicológico de Suzana, assinado pela psicóloga Liliane Magalhães. De acordo com esse laudo, a namorada de PC teria tendência suicida. "Esse laudo é falho porque familiares e as pessoas que conviveram com ela não foram ouvidos", opinou Lessa. Segundo ele, o laudo foi feito para tentar modificar a tese de homicídio seguido de suicídio, defendida pelo médico legista Fortunato Badan Palhares.

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