Delegados pedem a retirada de presos das delegacias
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quinta-feira, 09 de setembro de 1999
por Clarissa Thomé 
Rio, 10 (AE) - A Associação dos Delegados de Polícia do Estado (Adepol) vai entrar com ação civil pública contra o governo estadual, pedindo a imediata retirada de todos os presos das delegacias. A fuga de 94 presos da delegacia de Bangu, na última terça-feira, provocou a demissão do delegado titular Anestor Magalhães e a ameaça do governador Anthony Garotinho de exonerar os delegados responsáveis por delegaciais em que ocorrerem fugas. "A ação não é em retaliação à ameaça do governador, chegamos a um limite", afirmou o presidente da Adepol, Wladimir Reali.
A ação vai se basear na Lei de Execuções Penais, que garante aos internos seis metros quadrados de área disponível nas cadeias públicas. Reali lembra que na delegacia do Leblon, em que uma rebelião deixou um morto e sete feridos há 10 dias, 393 presos tinham de dividir 308 metros quadrados. "Cada um tinha menos de um metro quadrado, é uma condição desumana".
Segundo Reali, o governo estadual só tem plano para criação de 3,6 mil vagas nas casas de custódia e penitenciárias. "No governo de Carlos Lacerda, na década de 60, construiu-se galpões para abrigar os presos", lembrou o presidente da Adepol. "Essa seria uma solução de emergência, na delegacia é que não é seguro para manter os presos".
O secretário de Justiça, Sérgio Zveiter, afirmou que o Estado vai criar 4,2 mil vagas em casas de custódia e há projeto no Ministério da Justiça para a construção de quatro penitenciária, com capacidade para 900 presos cada. "A realidade é que há 180 mil pessoas detidas no País para um sistema penitenciário com 70 mil vagas e só três mil condenados cumprem penas alternativas", afirmou. Zveiter garantiu que até o fim do mês, a carceragem do Leblon vai estar esvaziada.


