Curitiba - O delegado Luiz Alberto Cartaxo de Moura prometeu ontem estudar a possibilidade de operações de fiscalização nas casas noturnas na região central. ''Não podemos fiscalizar apenas uma casa. Se temos que começar a fiscalizar essas casas, vamos fazer isso com todas'', afirmou Cartaxo. Ele admitiu que foi procurado por Valério, dono da sauna, para saber como faria para conseguir renovar o alvará.
''Eu falei para ele que ele poderia abrir a casa, se ela funcionasse apenas como sauna. Quanto ao alvará, somente darei depois de fiscalizar o local e verificar que não se trata de casa de prostituição'', argumentou Cartaxo. Ele negou que tenha se comprometido a tomar cerveja com o proprietário da Sauna Imperial. Cartaxo disse desconhecer o pagamento de propina para policiais civis. ''Gostaria que esses policiais fossem nominados'', afirmou.
O delegado Silveira negou que conhecesse a Sauna Imperial. ''Não sou falso moralista, mas nunca frequentei este lugar, apesar de achar que fazer sauna é bom'', disse ele. Silveira não sabe por que teve o nome citado como sendo amigo de alguns funcionários do estabelecimento. ''Por nome não me lembro de ninguém.'' Silveira disse desconhecer o recebimento de propina por parte de policiais civis de casas de prostituição. ''Se soubesse, comunicaria os fatos delituosos à Corregedoria'', alegou.
O crime de favorecimento à prostituição está previsto nos artigos 218 e 219 do Código Penal. De acordo com o promotor de Investigações Criminais, Pedro Carvalho Santos Assinger, são casas de prostituição todos os estabelecimentos que tiverem no seu interior prostitutas circulando livremente, mesmo que não contenham quartos. ''Independente se tem ou não quartos é casa de prostituição. Mesmo que o ato ocorra em outro local'', afirmou ele. Assinger disse que a manutenção dessas casas é criminosa e as polícias Civil e Militar têm o dever de reprimir o funcionamento delas.
A reportagem da Folha tentou entrar em contato com o advogado criminalista René Dotti, que assumiu a defesa da Sauna Imperial. No entanto, ele não mais estava no escritório. No telefone celular, a atendente informou que ele somente poderia atender a reportagem na segunda-feira.

mockup