Delegados investigam esquema na extinta Vigilância Urbana
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de maio de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 03 (AE) - Os delegados que investigam a máfia dos fiscais acreditam na existência de um grande esquema na Vigilância Urbana, órgão vinculado à Secretaria das Administrações Regionais e que foi extinto em fevereiro pelo atual secretário Domingos Dissei. "O esquema deve abranger a cidade inteira", disse o delegado Romeu Tuma Júnior, que também investiga cobrança de propinas envolvendo a Vigilância Urbana.
Em março, o delegado prendeu o ex-funcionário da Vigilância Urbana, Kleber Perez, citado no depoimento prestado pelo fiscal Israel Fernandez. Perez, segundo Fernandez, seria o chefe de Claudio Basso, que entregava as listas dos endereços que deveriam ser multados pela fiscalização. O delegado Tuma investiga supostos esquemas de desvios de dinheiro da publicidade em duas Administrações Regionais: Penha e Sé. Ele explica outra maneira de desvio do dinheiro da Vigilância Urbana.
No caso, há a suspeita de que os fiscais desviavam o dinheiro da publicidade pago por empresários e que deveria ser destinado ao Centro de Apoio Social e Atendimento (Casa). Esse dinheiro era repassado por intermédio de um selo, que deveria ser comprado pelas pessoas interessadas em divulgar seu produto ou empreendimento.
A assessora do vereador Vicente Viscome, Tania de Paula, também afirmou que os fiscais da Vigilância Urbana desviavam o dinheiro que iria para o Casa. Perez, que cumpriu prisão temporária, foi indiciado por concussão e formação de quadrilha. As investigações de Tuma Júnior também recaem sobre o fiscal Carlos Basso, citado por testemunhas e que já responde a um inquérito administrativo da regional da Sé desde março do ano passado.
Segundo a assessoria de Imprensa da Secretaria das Administrações Regionais, a Vigilância Urbana foi substituída pela Comissão Integrada de Fiscalização (CIF), que funciona dentro de cada Administração Regional. A assessoria informou ainda que todos os funcionários suspeitos de participarem do esquema de propinas serão afastados de suas funções e responderão a processo administrativo.


