Maceió, 02 (AE) - Os delegados Antônio Carlos Lessa e Alcides Andrade, que comandam as investigações sobre as mortes de Paulo César Faria e Suzana Marcolino, rebateram hoje as denúncias feitas contra eles pelo deputado federal Augusto César Farias (PPB-AL), sobre envolvimento com pistolagem, tortura e extorsão. "O deputado foi aos porões do presídio ouvir latrocinistas, assaltantes e homicidas para tentar denegrir a nossa imagem, com acusações levianas sem nenhuma comprovação legal", afirmou Andrade. Na sexta-feira (27), em entrevista, Farias fez denúncias contra os delegados e disse que iria apresentar provas. Em vez disso, publicou um caderno especial no jornal da familia Farias, Tribuna de Alagoas, denunciando "ligações perigosas" entre os dois delegados e o submundo do crime.
Para os delegados, o objetivo do deputado é desacreditar o trabalho de investigação sobre o caso PC que o coloca como indiciado na morte do próprio irmão. "Nunca afirmamos categoricamente que ele será indiciado, mas diante dos fatos apurados até agora deixamos claro que ele poderá ser", afirmou Andrade, que pretende entregar a conclusão do inquérito no próximo dia 17 de setembro. Até lá, os delegados vão ouvir uma testemunha em segredo de justiça.
Sobre a tentativa de suborno, que teria partido de um interlocutor do deputado Augusto Farias, os delegados confirmaram que as fitas comprovam a denúncia, mas adiantaram que cabe à Justiça analisar quem está com a razão. O deputado nega que tenha constituído um preposto para negociar com os delegados para livrá-lo do indiciamento. "Até porque não existe nada nos autos do inquérito que comprovem a minha participação na morte do meu irmão e de Suzana Marcolino", afirmou Augusto.
Lessa e Andrade disseram que vão processar o deputado por calúnia e difamação. Eles apresentaram um relatório do promotor Flavio Costa, inocentando-os de denúncia de tortura praticada contra um preso para arrancar confissão de um crime. Em outro caso, Andrade assumiu que quando era delegado da cidade de Novo Lino, os policiais aproveitaram a sua ausência e espancaram um agricultor, acusado de maltratar e matar sua enteada menor de idade.
Os delegados revelaram também que vão entrar com uma representação no Ministério Público Estadual contra o promotor da 4ª Vara Criminal de Palmeira dos Indios, Cyro Eduardo Blatter Moreira. Segundo eles, o promotor estaria sendo utilizado pelo Farias para acusá-los de casos já arquivados. Blatter confirmou que vem investigando a atuação dos dois delegados, mas que até agora não tem nada que comprove o envolvimento deles em crimes de pistolagem e tortura.
No caso da tentativa de suborno, envolvendo o jornalista Roberto Baía, acusado de ter sido o intermediário do deputado Augusto Farias, o promotor do caso PC, Luís Vasconcelos, pediu inquérito policial para apurar a denúncia. O secretário de Segurança Pública de Alagoas, Edmilson Miranda, designou o delegado Paulo Brás para presidir este inquérito. Na próxima semana, Brás começa a ouvir as fitas (uma cassete outra de video) e as pessoas envolvidas, entre elas, o jornalista, o deputado e os delegados.

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