Maceió, 25 (AE) - Os delegados Antônio Carlos Lessa e Alcides Andrade, que comandam as investigações sobre as mortes do empresário Paulo César Farias e sua namorada Suzana Marcolino, confirmaram hoje a existência de duas fitas (uma cassete e outra de vídeo), na qual um intermediário, em nome da família Farias, teria tentado suborná-los para livrar o deputado federal Augusto César Farias (PPB) do indiciamento pelo assassinato de PC, seu irmão.
Os delegados disseram que não podem revelar o nome desse interlocutor, mas confirmaram que as fitas comprometem o deputado e poderão ser usadas para justificar o seu indiciamento. "Ele já ia ser indiciado; depois dessa não tem escapatória", afirmou Andrade. Segundo ele, a fita cassete, que é a mais comprometedora, está sendo analisada pela equipe do perito Ricardo Molina, do laboratório da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Molina confirmou que recebeu a fita, mas não revelou a data e disse que não poderia adiantar nada sobre o seu conteúdo, porque a investigação corre em "segredo de Justiça". O perito da Unicamp não informou também quando o trabalho estará concluído, mas os delegados disseram que, se houver demora, entregam o inquérito à Justiça nesta quinta-feira, ou no início da próxima semana, dizendo que o resultado da perícia será enviado depois ao juiz.
Segundo o delegado Lessa, as conversas com esse mensageiro da família Farias começaram em maio. A primeira gravação foi feita de forma improvisada e não deu para gravar direito a tentativa de suborno. Nessa conversa gravada, o interlocutor chegou a dizer que para o deputado "todo homem tem seu preço" e perguntou aos delegados que estipulassem um preço pelo não indiciamento. A última gravação, com microcâmera de uma emissora de TV, foi feita na sexta-feira passada, e apresenta ótima qualidade técnica, mas a conversa não é tão comprometedora.
O advogado da família, José Fragoso Cavalcante, que atua na defesa dos quatro PMs acusados de participação nas mortes de PC e Suzana, negou hoje que o deputado Augusto César Farias teria motivo para subornar os delegados e impedir qualquer possibilidade de indiciamento. "Isto tudo não passa de mais uma armação dos delegados, que estão sem saber como sustentar um pedido de indiciamento, sem base em provas concretas nenhuma", afirmou Cavalcante.
O porta-voz da família Farias, jornalista Gabriel Mousinho, disse que o advogado é quem está autorizado a falar sobre o assunto, mas adiantou que se alguém procurou os delegados para tentar suborná-los "foi à revelia" do deputado Augusto Farias e de seus irmãos. Para Mousinho, a família Farias está tranquila
porque até agora não apareceu nenhum fato novo capaz de contestar a versão de crime passional. "Por enquanto, continuamos acreditando que Suzana matou PC e depois suicidou-se", afirmou.
O secretário de Segurança Pública de Alagoas, Edmilson Miranda, confirmou que tomou conhecimento das fitas e disse que não sabe como a imprensa teve acesso às informações sobre a tentativa de suborno. "Não era para ter vazado", afirmou Miranda, acrescentando que os delegados pretendiam revelar a tentativa de suborno somente quando fossem entregar o inquérito à Justiça, possivelmente para justificar o pedido de indiciamento do deputado Augusto Farias.

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