O delegado-titular da 123 DP (Macaé) Antônio Carlos de Carvalho, afirmou que as investigações sobre o acidente com a plataforma P-36 da Petrobras, que afundou no dia 20 de março após ter sofrido três explosões cinco dias antes, estão ‘‘apontando na direção de uma negligência’’. Carvalho disse que sua prioridade é estabelecer quem é o responsável pelo fato de a P-36 não ter parado de produzir para que um defeito, apontado em um boletim diário de produção, fosse sanado.
Durante todo o dia de ontem, o delegado ouviu depoimentos de engenheiros que trabalhavam na plataforma ou na base da Petrobras em Macaé. O gerente-geral da Petrobras na Bacia de Campos, Carlos Eduardo Bellot, disse em seu depoimento à polícia que antes do acidente não tinha responsabilidade sobre a plataforma P-36. ‘‘Desde novembro do ano passado, quando houve uma reestruturação na Petrobras, o comando da P-36 passou da Unidade de Negócios da Bacia de Campos para um grupo da Unidade de Negócios do Rio de Janeiro’’, informou.
Segundo Belltot, a sua gerência só assumiu a responsabilidade pelas operações de contingência (emergência) depois que da ocorrência do acidente na P-36. Ele depôs por duas horas e chegou à delegacia acompanhado por três advogados, entre eles, o ex-governador do Rio de Janeiro Nilo Batista. Desde o derramamento de 1,29 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara, ocorrido em janeiro do ano passado, o escritório de Batista está contratado para defender os funcionários da estatal.
O delegado comentou que precisa conferir junto à Petrobras se Bellot realmente não tinha responsabilidade sobre a plataforma P-36 antes do acidente, como declarou à polícia. ‘‘Vamos examinar os organogramas da empresa e, se o que ele disse for verdade, então, não cabe responsabilização objetiva ao engenheiro Bellot’’, afirmou. A Petrobras confirmou que a P-36 estava sob responsabilidade da Unidade de Negócios Rio de Janeiro, cujo gerente-geral é Cezar Palagi.
Durante o seu depoimento, Bellot ainda afirmou que, em caso de risco, os coordenadores da plataforma P-36 teriam autonomia para parar a produção da plataforma.

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