Curitiba- A Polícia Civil de Curitiba interrogou ontem os seis policiais militares envolvidos na operação que resultou na morte do pedreiro Edson Elias dos Santos, 28 anos, na madrugada do último dia 17, no Centro da capital. Os PMs voltaram a afirmar que Edson, acusado de furto de veículo, tentou fugir ao ser abordado por eles e teria atirado, o que gerou a reação. A versão, no entanto, é contestada pela mãe da vítima, Iraíde Aparecida Rodrigues dos Santos, que afirma que seu filho teria sido executado pelos PMs.
Os policiais foram interrogados pelo delegado Jairo Estorilio, que no dia 17 ainda era o titular do 12º Distrito Policial de Curitiba, onde foi registrada a ocorrência. Na última quarta, Estorilio se transferiu para a Delegacia de Furtos e Roubos, conforme determinação da cúpula da Polícia Civil. Mas na quinta, foi designado para concluir as investigações.
Segundo o delegado, dois dos PMs afirmaram que no início da madrugada do sábado de carnaval patrulhavam a região do Largo da Ordem quando viram três rapazes tentando furtar um Passat branco. Alegando que estavam em uma viatura com limitações para possível perseguição, chamaram outros carros. Mais quatro policiais chegaram ao local. Ao abordarem os rapazes, Edson teria fugido e atirado contra os PMs, que reagiram. O pedreiro foi morto com oito tiros, sendo seis pelas costas e dois abaixo do abdome. Os policiais disseram que apreenderam com a vítima um revólver calibre 22, com oito cápsulas deflagradas. Entregaram na delegacia uma chave falsa para abrir carros, que estaria com os rapazes. César dos Santos e Tiago Fernandes de Lara foram detidos e liberados depois de interrogados.
Os rapazes negaram, no depoimento, conhecer Edson dos Santos. Os dois afirmaram que passavam pelo Largo da Ordem quando viram uma confusão e, em seguida, um rapaz atirar contra os PMs e ser morto. Segundo a mãe do pedreiro morto, os amigos de seu filho teriam mentido. ''Os amigos dele estão com medo. Apanharam muito. Ele (Tiago) estava bastante machucado'', afirmou Iraíde em entrevista à Folha. Além disso, uma suposta testemunha afirmou que os PMs teriam atirado pelas costas após Edson ter levantado os braços num gesto de rendição.
O delegado Estorilio deve convocar Tiago e César para novos depoimentos. Ele afirmou que acredita na tese dos policiais militares. ''Não vejo até agora uma ação tão tortuosa. Por tudo o que foi apresentado, não vejo dúvida quanto ao fato (tiros disparados por Santos e pelos PMs). O que se pode vislumbrar é se houve um eventual excesso'', disse o delegado, que espera concluir as investigações em 20 dias.

mockup