São Paulo, 30 (AE) - O delegado Romeu Tuma Júnior vai solicitar a quebra do sigilo bancário da vereadora Maeli Vergniano (sem partido). O pedido faz parte do relatório final do inquérito sobre a Administração Regional de Pirituba, que será concluído nesta semana. O delegado disse que há provas de que a vereadora cometeu irregularidades no controle político da Administração Regional de Pirituba, mas não informou se solicitará a prisão de Maeli, que já foi indiciada por peculato (apropriação indébita de bem público) e formação de quadrilha.
Segundo o delegado, o restreamento das contas da parlamentar revelará se ela foi beneficiada em esquemas de cobrança de propinas na Regional de Pirituba, que era controlada politicamente por Maeli até o ano passado. "O inquérito já provou que ela praticou peculato por causa do uso indevido de carros da Vega", disse Tuma Júnior. Ele refere-se à denúncia de que a vereadora utilizou para fins particulares veículos da empresa Vega Ambiental cedidos para a Administração Regional de Pirituba. A empresa era a responsável pelos serviços de limpeza na região de Pirituba.
No relatório final da Comissão Processante de Maeli na Câmara, ficou constatado que um Uno da empresa pernoitou mais de 20 vezes na garagem do Palácio Anchieta, em nome da vereadora. A polícia também constatou que Maeli ficava com parte dos salários de seu gabinete, na Câmara, e que utilizou frutas confiscadas de ambulantes para uma festa de fim de ano.
O delegado afirmou que não deve concluir o inquérito amanhã (31) para não influenciar a votação de cassação do mandato de Maeli na Câmara Municipal. "O julgamento na Câmara é político, mas já há provas materiais para que a vereadora seja denunciada pelos crimes na Justiça", disse. "Não tenho dúvidas de que os vereadores têm elementos para julgá-la corretamente." Após ser concluído pela polícia, o inquérito é enviado para o Ministério Público Estadual (MPE), que deve oferecer denúncia contra a vereadora na Justiça.
Pinheiros - Hoje foi realizada uma acareação entre o ex-administrador regional de Pinheiros, Oswaldo Kawaname, e a ex-chefe da Unidade de Fiscalização, Maria Thereza Ferrari de Castro. No depoimento prestado à polícia, Maria Thereza afirmou que entregava dinheiro de propina para Kawaname. O ex-regional, que cumpre prisão temporária, nega as acusações. Até às 19 horas
a acareação não havia terminado.

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