Delegado teve aval de Campelo para assumir PF
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segunda-feira, 21 de junho de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 22 (AE) - O delegado Agílio Monteiro Filho, superintendente da Polícia Federal (PF) em Minas Gerais, que quinta-feira (24) toma posse no comando nacional da corporação, teve o nome avalizado pelo ex-diretor-geral do órgão João Batista Campelo.
Entre os consultados pelo Palácio do Planalto para levantar o passado do superintendente da PF em Minas Gerais, estava Campelo, cuja indicação pesou bastante, que deixou o cargo 72 horas depois de tomar posse, pressionado com denúncias envolvendo o nome dele em sessões de tortura na década de 70. Ao ser consultado, Campelo elogiou o desempenho de Monteiro Filho, que foi aluno dele na Academia de PF. "Agílio foi um dos meus alunos mais brilhantes", comentou.
O nome do novo diretor da PF foi escolhido por exclusão. Desesperados em encontrar um delegado federal com perfil técnico para o cargo, assessores do presidente pegaram um mapa do Brasil para analisar individualmente os nomes dos superintendentes da PF em cada Estado do País. Para essa escolha, três critérios foram colocados com o objetivo de fazer a eliminação: ter participado de atos contra os direitos humanos durante a repressão militar, ter no histórico pessoal qualquer situação irregular ou ato de corrupção e envolvimento político partidário ou com sindicatos da corporação.
Pesou na indicação de Monteiro Filho a boa imagem que ele tinha junto a políticos mineiros próximos do presidente. Além do ex-governador tucano Eduardo Azeredo, que chegou a o classificar como um policial "conciliador e discreto", o novo diretor também foi elogiado pelo ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga. Por isso, a escolha foi comemorada neste setor do ninho tucano. "Agílio passou cinco anos e meio na Superintendência de Minas Gerais e não existe nada contra ele", informou Veiga ao presidente.
O ministro da Justiça, Renan Calheiros classificou a opção por Monteiro Filho como "a melhor escolha" por atender a todos os critérios técnicos. Até na oposição, a indicação do novo diretor da PF foi comemorada. "Conversei com várias entidades de direitos humanos de Minas e com o prefeito de Belo Horizonte, Célio de Castro (PSB), e recebi vários elogios deste delegado", disse o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), advogado ligado à área de direitos humanos, logo depois de um encontro que teve com Calheiros, na tarde de hoje. "O fato de ter escolhido um negro também mostra que não houve discriminação", avaliou Greenhalgh.
No Palácio do Planalto, a avaliação é que toda a crise gerada para a nomeação do diretor da PF criou um desgaste no governo. "Mas isso será superado logo", comentou um assessor do Planalto. Do episódio, o ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, foi quem saiu mais atingido. Isso porque ele foi o responsável pela indicação Campelo. Cardoso teve uma participação limitada na escolha do novo diretor da PF. Até mesmo um outro indicado dele, o delegado Zulmar Pimentel, teve o nome eliminado nas primeiras sondagens. "A nomeação de Zulmar poderia criar arestas", avaliou um interlocutor do presidente.
Já Campelo, que reassumiu o cargo de Secretário da Segurança Pública de Roraima, tem dito que irá processar todos que o acusaram de práticas de tortura durante o regime militar, até mesmo o ex-padre e professor José Antonio de Magalhães Monteiro. Dentro do Planalto, o nome de Campelo continua sendo defendido. "Ainda não provaram nada contra ele", comenta um assessor do presidente.


