Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
O delegado de Matelândia, Antônio Carlos Brandão, terá mais 30 dias para concluir o inquérito que apura as causas do tiroteio que deixou sete feridos, em 18 de agosto, na fazenda Casa Amarela, em Ramilândia (110 quilômetros ao norte de Foz). A propriedade, com 206 alqueires, está ocupada há 11 meses por 94 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
O prazo para a conclusão do inquérito terminaria hoje. Brandão disse que pediu a prorrogação para fazer exames complementares de lesões corporais em quatro vítimas. O delegado adiantou à Folha de Londrina/Folha do Paraná que o inquérito não será conclusivo e que ninguém será indiciado como responsável pelo tiroteio. ‘‘Não tenho certeza sobre quem começou a atirar. Por isso, ao receber meu relato, a Promotoria vai decidir se apresenta denúncia à Justiça ou não,’’ informou o delegado. O inquérito será encaminhado ao Fórum de Matelândia (80 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu).
Para o delegado, a causa provável do conflito foi a tentativa de invasão da sede da fazenda pelos sem-terra. A versão é contestada pelo MST, que acusa o dono da fazenda, Marcos Antônio Baptista, de armar uma simulação para incriminar o movimento.
Dos sete feridos, quatro são sem-terra, dois são trabalhadores rurais e o último, Sérgio Soares Santos, é irmão de um funcionário da fazenda. Santos havia dito em depoimento que fora ferido pelos sem-terra. Depois, recuou e afirmou que o tiro que o atingiu foi dado por um funcionário da fazenda.

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