Brasília, 24 (AE) - O lateral-esquerdo do Jaraguá Country Club de Belo Horizonte, Agílio Monteiro Filho, tem fama de não ser um grande jogador, mas é elogiado entre seus colegas de peladas domingueiras por ser contra atos de violência. Essas também são as características de Monteiro Filho como delegado da Polícia Federal. Nomeado para diretor-geral da PF, ele admite que sua experiência se restringue a Minas Gerais, seu Estado natal, onde trabalhou quase todos os seus 20 anos de carreira, durante os quais, afirma, nunca cometeu um ato de violência.
O delegado Monteiro Filho recebeu o convite às 21 horas de segunda-feira, em sua casa, por meio um telefonema do chefe da Casa Civil da Presidência, Clóvis Carvalho. "Eu não pedi a ninguém para ser diretor." O delegado fala pouco, mede bem as palavras e prefere dizer que não conhece o assunto quando não quer se comprometer. Hoje, em entrevista coletiva, ele expôs seus pensamentos sobre situações e pessoas da PF: Conflitos - "Vamos administrar a situação e acabar com os conflitos. Qualquer instituição que não tem hierarquia e disciplina, é arranhada." Chelotti (Vicente Chelotti, ex-diretor-geral da PF) - "Ele ainda está de licença, mas é um delegado da Polícia Federal, como eu sou, recebe seus salários e tem que trabalhar. O único grupo ao qual pertenço é o da PF. O doutor Chelotti tem seu valor, trouxe benefícios para a instituição quando foi diretor. Fomos colegas de turma de agentes." Mandato - "Acho saudável a idéia de mandato para diretor da Polícia Federal. Quem entra sabendo quanto tempo vai ficar, pode traçar melhor seus planos de trabalho." Briga com a Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) - "Temos de separar as coisas. A Senad não é delegacia de polícia. Polícia é com a PF e não se pode confundir as coisas. Mas vamos trabalhar em harmonia e em parceria." Grampos telefônicos - "Na PF, prefiro não tratar como grampos, mas em controle telefônico. E isso pode ser feito desde que com autorização judicial. Essa prática será administrada quando houver necessidade. Mas aviso que haverá punição severa para qualquer ação ilegal." Tortura - "É crime. Eu sou a favor da federalização de crimes contra os direitos humanos. É uma idéia saudável." Cargos - "Vou me reunir com os superintendentes para analisar. Vamos ver quem quer sair. Vou manter o Wantuir Jacine onde está - (atualmente ele é coordenador central policial, o segundo cargo na hierarquia da PF)."

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