Delegado Romeu Tuma Jr. abandona investigações sobre máfia nas regionais
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quarta-feira, 24 de março de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 25 (AE) - O delegado Romeu Tuma Júnior, que preside seis inquéritos sobre esquemas de cobrança de propinas nas administrações regionais, resolveu abandonar o caso, hoje. A decisão foi tomada após uma ordem enviada pelo delegado-geral de Polícia, Marco Antônio Desgualdo, ao diretor do Departamento de Registro Diversos (Dird), Eduardo Hallage.
Em um telex enviado na segunda-feira ao Dird, Desgualdo teria ordenado que todas as novas informações referentes às investigações fossem enviadas para a Divisão de Polícia Comunitária (Diprocom), dirigida pelo delegado Itagiba Franco. Franco foi designado pelo delegado-geral para participar das investigações. A ele caberia presidir inquéritos referentes às secretarias e outros órgãos do governo municipal.
Segundo Tuma Júnior, todas as novas informações deveriam ser enviadas para Franco e ele poderia dar continuidade aos inquéritos que já estão em andamento. O delegado, no entanto, preferiu abandonar o caso. "Como poderei dar continuidade às investigações se não posso abrir novos inquéritos?", indagou Tuma.
O delegado negou qualquer desentendimento com Franco ou com os promotores do Ministério Público Estadual (MPE) que também participam das investigações. "Tenho certeza que as investigações serão conduzidas da melhor forma possível", declarou. Ele admitiu, no entanto, que se sentiu desprestigiado com a ordem. "Não entendo como eu era imprescindível na quinta-feira e na segunda não era mais", declarou.
Na quinta-feira, Tuma Jr. havia se reunido com Desgualdo e solicitado férias, alegando cansaço. O delegado afirmou que, caso seja solicitado, enviará uma carta pedindo o afastamento do caso. "Ordem superior não se discute, o que for determinado eu faço", disse Tuma.
O delegado Naief Saad Neto, que divide as investigações com Tuma, não informou se também irá solicitar seu afastamento. O delegado Itagiba Franco evitou comentar o assunto. "Vim para somar e não dividir", resumiu Franco.


