Maceió, 24 (AE) - Uma semana depois de ter declarado que não tinha provas suficientes para indiciar o deputado federal Talvane Albuquerque (PTN), o delegado da Polícia Civil Paulo Brás diz agora que vai indiciar o parlamentar alagoano como mandante do assassinato da deputada federal Ceci Cunha (PSDB). Brás anunciou a decisão hoje de manhã, durante entrevista à imprensa, ao lado do secretário de Segurança Pública de Alagoas, Edmilson Miranda.
"Vamos indiciar o deputado como mandante e seus assessores como executores da chacina", afirmou Brás, acrescentando que entrega nessa sexta-feira (26) o inquérito à Justiça, pedindo prorrogação do prazo para realizar as últimas diligências e concluir as investigações sobre o caso. Segundo o delegado, os assessores Jadielson Barbosa, Alécio Alves e José Alexandre da Silva (Zé Piaba) serão indiciados como executores e Mendonça Medeiros da Silva como cúmplice.
Na terça-feira, Silva foi levado pela polícia ao depósito do Detran/AL e reconheceu o veículo Santana azul utilizado por ele para dar fuga aos assessores de Albuquerque depois do crime, na noite de 16 de dezembro de 98. O Santana pertence ao cunhado de Albuquerque, Pedro Leão, e foi apreendido pela polícia, na sexta-feira, véspera de carnaval, na chácara do pai do parlamentar alagoano, em Arapiraca, a 142 quilometros de Maceió.
Silva confirmou ter pego o veículo Santana na casa da irmã de Talvane, Terezinha Albuquerque, para dar fuga aos assessores do parlamentar. O trabalho de reconhecimento durou menos de uma hora e foi acompanhado pelo secretário Edmilson Miranda. "No dia do crime, eu fiquei com esse carro no local onde o Fiat Uno, usado na chacina, foi queimado. Eles cometeram os crimes e foram para esse local. De lá, entraram no Santana e viajamos direto para Brasília", confessou.
Com base nesse depoimento e nas demais provas testemunhais colhidas até agora, o delegado Paulo Brás disse que pensou bem sobre o assunto e decidiu indiciar Talvane Albuquerque como mandante da chacina da qual foi vítima a deputada Ceci, o marido e mais dois parentes dela. "Nunca tive dúvida do envolvimento dele, porém faltavam provas mais consistentes do seu envolvimento", afirmou Brás, negando pressões do diretor-geral da Polícia Federal, Vicente Chelotti, para mudar de posição.
Para Miranda, o que houve foi um mal-entendido entre a declaração de Brás e a real intenção da Polícia Civil em indiciar Albuquerque. "Temos a convicção de que o deputado Talvane é o autor intelectual desse crime, mas queríamos deixar que a Justiça o indiciasse depois que ele perdesse a imunidade parlamentar", revelou Miranda. "O importante agora é que a Justiça prorrogue a conclusão do inquérito, para que a polícia realize algumas diligências e encerre logo esse caso."

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