Delegado Recalcatti deixa cadeia após uma semana
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terça-feira, 20 de outubro de 2015
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba Uma semana após ser preso sob suspeita de homicídio, o chefe da Divisão de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP) de Curitiba, Rubens Recalcatti, deixou ontem a cadeia, amparado por uma liminar obtida junto ao Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. Ele e outros oito homens, sendo sete investigadores de polícia, foram detidos durante diligências da operação Aquiles, deflagrada pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público (MP) Estadual, na última terça-feira.
Segundo o advogado do delegado, Cláudio Dalledone, Recalcatti agora responderá em liberdade. "Ele vai poder esclarecer toda essa armação. As informações (do processo) por enquanto estão bem restritas, mas com certeza foi um confronto. A defesa nega veementemente as acusações do Gaeco", afirmou. Dalledone disse ainda que deve pedir a extensão do habeas corpus aos demais acusados, que seguiam na carceragem da Delegacia de Furtos e Roubos (DFR) da capital. O mandado de prisão temporária tem duração de 30 dias.
As investigações dizem respeito à morte de Ricardo Geffer, ocorrida no dia 28 de abril, em Rio Branco do Sul, região metropolitana de Curitiba (RMC), em um suposto confronto com a Polícia Civil. A vítima teria participado, alguns dias antes, em uma quadra de futebol, do assassinato do ex-prefeito da cidade (mandato 1997-2000) João Dirceu Nazzari, que era primo do delegado. Um funcionário de Nazzaru também foi atingido e faleceu. Os autores dos disparos estavam encapuzados e não foram identificados. Para o Gaeco, tudo indica que ocorreu uma execução.
O chefe da DCCP foi candidato a deputado estadual nas últimas eleições, pelo PSD, tendo ficado como suplente da coligação. Antes da liberação dele, os delegados paranaenses chegaram a anunciar uma curta paralisação amanhã, às 10 horas, em frente à DFR e às unidades do interior, em sinal de protesto. De acordo com o presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná (Sidepol), Cláudio Marques Rolim e Silva, a categoria, de 380 profissionais, não é contra as investigações. "Para a nossa segurança, é bom que sejamos fiscalizados, porque sabemos que não podemos errar. O problema é prender e depois perguntar o que aconteceu", criticou.
A FOLHA procurou o Gaeco para repercutir a liminar que liberou o delegado, mas os promotores de Justiça não retornaram o telefonema.


