Delegado reaparece após revogação de prisão no Paraná
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segunda-feira, 10 de abril de 2000
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 11 (AE) - O ex-delegado-geral da Polícia Civil do Paraná João Ricardo Keppes de Noronha reapareceu hoje após 40 dias escondido. Ele concedeu entrevista logo depois de ter a prisão temporária revogada pelo Tribunal de Alçada. Noronha foi acusado, em depoimentos à CPI do Narcotráfico, de ser um dos principais comandantes do narcotráfico no Estado.
Segundo ele, os deputados vieram ao Paraná por "questões políticas" e ouviram "pessoas comprometidas, em depoimentos sem valor jurídico e provas viciadas". O advogado Luiz Alberto Machado disse que o aconselhou a não se apresentar para depor na CPI por ter informações de que ele sairia preso.
Noronha negou as acusações e afirmou ter sido, entre todos os policiais do Paraná, aquele que mais prisões efetuou nos 15 anos como delegado e três meses na delegacia-geral. "Jamais pensei ser execrado como narcotraficante." De acordo com ele, o objetivo de algumas pessoas que deram informações à CPI foi desmoralizar o governo. Ele preferiu não nominar as pessoas.
"Não acredito que os deputados tenham atuado com dolo", disse. "Eles foram ingênuos." Noronha disse que vai depor à CPI se receber intimação, mas seu advogado disse que ele só falará ao Judiciário. "Eles (CPI) não querem averiguar a verdade, eles querem circo", disse Machado.
Noronha foi afastado da polícia pelo governador Jaime Lerner (PFL), mas disse que voltará a ser policial. "Mas jamais serei o mesmo delegado de polícia, corajoso, destemido, dedicado, ainda mais porque posso prender alguém e ele se voltar contra mim numa próxima CPI."


