Delegado quer fazer reconstituição; advogado diz que Meira não participará
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de novembro de 1999
Por Elenita Fogaça 
São Paulo, 07 (AE) - O delegado Olavo Reino Francisco, da 2.ª Delegacia Seccional Sul, pretende fazer, no fim de semana
a reconstituição do crime cometido pelo estudante Mateus da Costa Meira, de 24 anos. O advogado dele, Eduardo Pizarro Carnelós, disse que seu cliente não vai se submeter a essa reconstituição. "Não vejo necessidade disso, o crime já está esclarecido e não contribui em nada para a defesa dos fatos", reclamou.
Caso o delegado Francisco insista, o advogado sugere que ele contrate atores para desempenhar o papel de Meira, pois ele tem instrumentos legais que garantem o direito de seu cliente em não participar de diligências que o coloque em risco. "Em respeito às famílias que perderam seus parentes não podemos fazer isso, para mim estão querendo armar um circo para a imprensa."
Francisco espera poder iniciar o trabalho de reconstituição num dia em que o shopping não esteja muito lotado. "Temo pelo tumulto que isso possa ocasionar", diz. Caso faça a reconstituição, Meira terá de seguir passo a passo todas as suas ações do dia da tragédia, na qual matou três pessoas e feriu outras cinco.
De acordo com o depoimento prestado no 96.º Distrito Policial, Meira chegou ao MorumbiShopping por volta das 22 horas do dia 3. Entrou na sala 5, do cinema, assistiu parte do filme Clube da Luta e foi para o banheiro. No local, testou a arma, uma submetralhadora, disparando contra o espelho.
Ele saiu do banheiro, desceu os degraus das escadas e caminhou até o corredor lateral, parou e começou a atirar em direção ao público. Oito pessoas foram atingidas. Quando parou de atirar, um grupo avançou em sua direção e o publicitário Renato Lucena Fernandes de Mello, de 24 anos, conseguiu dominá-lo.
Parecer - No sábado, o psiquiatra José Cássio do Nascimento Pitta visitou Meira e disse que o paciente continuava sendo medicado e não apresentava alterações no seu estado. Cauteloso, o psiquiatra prefere não revelar o real estado psíquico de Meira, embora até tenha uma hipótese de diagnóstico. "Não afirmei nenhum diagnóstico do paciente por questões éticas e sigilo médico."
Pitta quer avaliar Meira durante toda a semana para que, no momento da reconstituição do crime, se ocorrer, ele possa ter um parecer sobre qual será a reação de seu paciente. "Não posso
de forma alguma, fazer uma avaliação precoce e prefiro aguardar os acontecimentos dos próximos dias", disse.


