Delegado pode pedir a prisão de líderes da invasão em Itararé
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sábado, 14 de novembro de 1998
José Maria Tomazela Agência Estado 
O delegado de Itararé, interior de São Paulo, José Carlos Bertolucci, pretende pedir a prisão temporária dos sem-terra que lideraram a invasão da Fazenda Rio Verde, deixando a propriedade praticamente destruída. Segundo Bertolucci, os sem-terra teriam cometido, em tese, crimes de esbulho qualificado, danos e furtos. Falo em tese porque ainda não recebi os laudos da perícia realizada na propriedade pela polícia técnica, disse. Esses laudos, segundo ele, devem ficar prontos na próxima semana.
Bertolucci preside o inquérito aberto para apurar a violência usada na ocupação - o filho do proprietário da fazenda, Cyro Maschietto, e sua esposa teriam sido agredidos e ameaçados de morte - e os danos causados à propriedade.
Ele reuniu-se ontem com o delegado seccional, Hamilton Gianfratti, para discutir a questão. Foi uma ação violenta, com excesso de vandalismo, fugindo dos padrões de um movimento social, avaliou o delegado. Segundo Bertolucci, a polícia já dispõe da identificação dos líderes. A prisão provisória é um instrumento que a polícia tem para dar andamento ao inquérito sem risco da fuga dos envolvidos ou eventual coação de testemunhas ou, ainda, destruição de provas.
O coordenador regional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) Delwek Matheus, disse que o delegado deveria mandar prender os responsáveis pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em São Paulo, por omissão. Só ocupamos a fazenda porque eles deixaram mais de 300 famílias passando fome durante um ano e meio na estrada. Esse é o tempo, segundo Delwek, que os sem-terra esperaram que o Incra fizesse a vistoria da Fazenda Rio Verde, cujo pedido foi protocolado no primeiro semestre do ano passado.
Delwek duvida que a polícia consiga identificar os autores dos estragos causados na fazenda. Eu mesmo, estive lá, mas nem cheguei a entrar na sede. Haviam cerca de 300 mulheres e crianças no grupo que ocupou a propriedade, segundo o líder. Quero ver a polícia processar mulheres, crianças e pessoas que mataram bois porque estavam com fome, desafiou. O advogado que requereu o despejo dos sem-terra, Douglas José Tomass, disse que já entregou à polícia uma lista com os nomes dos que lideraram a invasão. Pelo menos três líderes foram identificados inclusive com documentos de identidade pelo advogado.
Cerca de 40 produtores rurais da região, reunidos anteontem à noite no Sindicato Rural de Itararé decidiram formar patrulhas rurais para proteger as fazendas da região. As patrulhas seriam equipadas com rádio e circulariam com caminhonetes pelas estradas da região. Segundo o presidente do sindicato, Isaac Pinto, o principal objetivo é combater o crescente roubo de gado na região. Mas a segurança das propriedades ameaçadas de ocupação pelos sem-terra foi o assunto dominante no encontro.


