Delegado pede quebra de sigilo de jurado do caso de Eldorado dos Carajás e marca acareação
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domingo, 29 de agosto de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 30 (AE) - O delegado Vicente Costa, da Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe) da Polícia Civil do Pará, pediu hoje à Justiça a quebra do sigilo bancário e telefônico do jurado Silvio Mendonça. Ele participou da sessão do Tribunal do Júri que absolveu o coronel Mário Pantoja, o major José Maria Oliveira e o capitão Raimundo Lameira, comandantes da operação militar que resultou no massacre de 19 trabalhadores sem-terra em Eldorado dos Carajás.
Mendonça é acusado de envolvimento numa suposta tentativa de suborno contra o também jurado Fernando Brito, que não foi sorteado para participar daquela sessão. Mendonça teria perguntado a Brito se por R$ 3 mil "morria" a favor da inocência do coronel Pantoja. A denúncia foi feita ao Ministério Público pela vice-prefeita de Belém, Ana Júlia Carepa (PT). Hoje
em depoimento, Mendonça negou ter feito a proposta. O delegado marcou para amanhã (31) uma acareação entre Mendonça e Brito.
A pedido do chefe da Promotoria Criminal, Miguel Bahia, a polícia abriu inquérito para apurar o caso. A vice-prefeita e Brito ja prestaram depoimento. Ela confirmou o que já havia denunciado. Brito disse que tudo não passou de uma "brincadeira" e condenou a vice por divulgar o fato "sem ter provas".
Acareção - Durante uma hora, hoje, Mendonça negou em depoimento ao delegado ter feito a proposta a Brito. "Nunca falei isso, ele está mentindo", resumiu o jurado, acrescentando que jamais falou com Brito. Costa marcou para amanhã uma acareação entre Mendonça e Brito. "Quero tirar todas as dúvidas e saber quem está dizendo a verdade", disse o delegado.
Mandados - No Tribunal de Justiça, a juíza Raimunda Gomes foi indicada pelas Câmaras Criminais para julgar o mandado de segurança do Ministério Público que pede a suspeição do juiz Ronaldo Valle para continuar presidindo as sessões dos julgamentos do processo de Eldorado dos Carajás. A juíza também é responsável pelo julgamento do mandado de segurança que solicita a suspensão das 26 sessões até que seja julgado o recurso a favor da anulação do julgamento que absolveu os três oficiais da Polícia Militar.


