Os depoimentos de Celina e Beatriz Abbage demoraram cerca de duas horas. O delegado Rogério Pereira da Costa ofereceu delação premiada para as duas, caso quisessem cooperar e contar ''algo a mais'' em depoimentos futuros.
O advogado criminalista Joel Coimbra, ex-secretário do governo Jaime Lerner (PSB), disse que é comum que seja oferecida a delação premiada a elas mesmo que se tratem de testemunhas do processo. ''A delação premiada tem sido muito usada para o esclarecimento de crimes graves e que não tenham provas concretas. Tecnicamente, por serem testemunhas, elas não teriam delação premiada. Mas a Polícia Federal pode oferecer proteção em troca de apoio'', ponderou Coimbra.
Já foram testemunhas do processo os demais acusados da morte de Evandro: Davi dos Santos (condenado), Osvaldo Marcineiro (condenado), Airton Bardelli (absolvido) e Sérgio Cristhofolini (absolvido). Celina e Beatriz Abagge foram absolvidas no mais longo júri da história do Paraná, em 1998. O júri foi anulado. Elas deverão voltar ao banco dos réus no dia 17 de novembro.
O delegado não quis atender ontem a imprensa. De acordo com Coimbra, ele teria informado Celina e Beatriz que iria mandar fazer uma nova varredura na Baía de Guaratuba para tentar encontrar o corpo de Leandro Bossi. O delegado teria ainda alertado as duas que um dos réus (acusados pela morte de Evandro) estaria disposto a contar sobre o caso Bossi. ''A gente fica muito assustada nesta hora. Por mais que não tenhamos nada a ver com nenhum dos desaparecimentos, uma vez acusada, a pessoa fica desacreditada pela vida inteira'', ponderou.(L.P.)

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