Delegado, mestre-sala da Mangueira, pode entrar para o Livro dos Recordes2/Mar, 18:10 Por Murilo Fiuza de Mello Rio, 02 (AE) - A Mangueira poderá ter um dos seus filhos mais ilustres incluído no Guinness Book. Amigos e moradores do morro estão há dois anos colhendo assinaturas para que Hésio Laurindo da Silva, o Delegado, de 77 anos, tenha seu nome no Livro do Recordes como mestre-sala que mais desfilou na história do carnaval. São 33 desfiles em seu currículo, todos com nota máxima. "Ele foi o único mestre-sala da história do samba que jamais tirou nota menor que 10", lembra Gerson Lopes, presidente da Associação Cultural do Barraqueiros do Terreirão do Samba, na Praça Onze. Lopes diz que até agora o documento conta com 15.328 assinaturas, entre elas as dos cantores Zeca Pagodinho, Jamelão, Gal Costa, Beth Carvalho e Lecy Brandão. "Nosso objetivo é chegar a 50 mil pessoas", disse. Para chegar a esse número, explica, a lista correrá na Marquês de Sapucaí e o próprio Terreirão, durante os desfiles das escolas do grupo A e Especial no sábado, domingo e segunda-feira. Recorde - A idéia de indicar o nome de Delegado para o Guinness Book foi do jornalista Emygdio Felizardo Filho, o Tijolinho, do jornal carioca "O Dia", que morreu em janeiro. "Ele teve essa idéia durante uma homenagem da Riotur (Empresa Municipal de Turismo) aos serviços prestados pelo Delegado ao carnaval carioca, em 1998", lembra Lopes. Após atingir as 50 mil assinaturas, o abaixo-assinado será enviado para o escritório de representação do Guinness Book, em São Paulo. De sua casa, no Morro da Mangueira, o velho mestre-sala agradece os amigos. "Só a iniciativa de me indicar para o Livro dos Recordes já me traz uma grande felicidade, achei uma beleza", afirmou Delegado, que está "aposentado" da função há dez anos, mas não dos desfiles. Hoje, ele sai na Sapucaí acompanhando a Velha-Guarda da verde-e-rosa. Delegado conta que começou a desfilar na escola aos 18 anos. No início, era apenas um ritmista, depois subiu de posto: virou diretor de harmonia. Mas a paixão por aquele jeito elegante de bailar dos mestres-salas nunca tinha saído de sua cabeça. "Eu deveria ter uns cinco anos e ficava olhando o Jorge Rasgado (antigo mestre-sala da Mangueira) dançar, ia para casa, pegava uma vassoura e começava a imitá-lo", lembra. "Aprendi o que sei hoje sozinho, nunca tive um único professor". O principal par de Delegado foi a porta-bandeira Neide, substituída posteriormente por Mocinha. "Ela era impressionante", conta. "Eu fazia um movimento com o leque e a Neide me acompanhava certinha, parecia que ela adivinhava os meus passos". Mas, como toda a elegância dos velhos mestres-salas, Delegado não desafina na falta de cortesia: "A Mocinha (que ainda está viva) também era ótima". Apesar de mangueirensa doente, Delegado já mostrou seu gingado em terras paulistas. Durante 15 anos, quando ainda não era moda puxadores e compositores cariocas invadirem os desfiles de São Paulo, ele trabalhou na escola Camisa Verde, na qual desfilou por cinco anos. "Lá cheguei até a ser diretor de harmonia", diz. Hoje, sem perder a elegância, Delegado só pensa em uma coisa: "Se depender de mim, a Mangueira será campeã novamente".