Delegado já tem informações para fechar relatório sobre grampo
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segunda-feira, 18 de outubro de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 19 (AE) - O delegado federal Rubens Grandini, encarregado do inquérito do grampo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), deve voltar amanhã (20) para o Mato Grosso do Sul, onde é lotado, para começar a escrever o relatório que será apresentado ao Ministério Público Federal. No fim de semana passado, ele encerrou os depoimentos sobre o caso: ouviu novamente o ex-policial federal Célio Arêas da Rocha e o hipnoterapeuta Paulo Renaud, citado no dossiê entregue por Rocha à Justiça Federal.
O ex-policial está escondido, sob a proteção da Polícia Federal, e aguarda o ingresso no Serviço de Proteção à Testemunha. Grandini esteve no local onde Rocha está guardado para oficializar seu depoimento no inquérito - antes, foi ouvido em juízo - e para esclarecer trechos obscuros da degravação da conversa entre ele, o funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Temílson de Resende, o Telmo e o engenheiro civil Nelsino Drozczak da Silva, num almoço, em agosto, gravado pela própria Abin. Nessa conversa, Telmo ameaça o ex-técnico da Telerj Waldeci Alves de Oliveira, que, em seu depoimento à PF, disse ter sido convidado para o grampo no BNDES pelo detetive particular Adilson Alcântara de Matos, apontado pela polícia como "sócio" do agente.
Segundo fontes ligadas à investigação, Renaud - um especialista em tecnologia de escuta e de segurança - foi a pessoa que primeiro apresentou os nomes de Telmo, Matos e Rocha à Polícia Federal. Ele prestou depoimento no sábado de manhã; à noite, sofreu uma tentativa de assalto. "Quatro homens tentaram invadir minha casa, mas fugiram quando o alarme disparou", contou ele. "Desde que esse inquérito começou, já tive um carro roubado e, na semana passada, flagrei dois detetives particulares me seguindo."
Laudos - Antes de voltar à Campo Grande, onde é corregedor da PF, Grandini vai passar na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), para pegar o laudo sobre as fitas cassete encontradas na casa de Telmo. Há sinais de grampo nelas. As fitas haviam sido desmagnetizadas, mas os peritos da Unicamp conseguiram recuperar parte do material, que indica a realização de um teste de canais - uma preparação técnica para uma escuta telefônica. Uma das fitas não havia sido degravada e há nelas conversas obtidas por grampo. Nenhuma das gravações, no entanto, refere-se ao BNDES. O delegado deve pegar também em Brasília, no Instituto Nacional de Criminalística (INC), o laudo dos extratos telefônicos dos envolvidos.
As investigações chegaram a indícios de que o ex-coordenador da Abin no Rio João Guilherme Maia tem ligações mais estreitas com Telmo do que admitiu - ele alega que chegou a pedir o afastamento do agente. Na escuta autorizada judicialmente feita nos celulares dos suspeitos, há conversas entre Telmo e Maia. A perícia está levantando ligações do agente para celulares usados pelo então coordenador da Abin. Detalhe: como Maia não era o superior imediato de Telmo - que, segundo informações da Abin, se reportava ao coordenador da área de apoio -, não haveria razões profissionais para os telefonemas.


