Curitiba - Em meio às denúncias do Ministério Público do Paraná (MPPR) sobre corrupção e tortura praticadas por policiais civis, o delegado-geral Riad Farhat, que assumiu o cargo há 22 dias, reconheceu ontem em Curitiba que a corporação passa por uma crise e precisa de uma urgente reestruturação.
Desde 1º de agosto, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) já ofereceu denúncias contra 35 policiais civis, sendo 15 por envolvimento com tortura e 20 por corrupção passiva, formação de quadrilha, concussão, abuso de direito, calúnia, lavagem de dinheiro. Os casos também investigados pela Corregedoria da instituição.
"É inegável que cada vez que aparece um caso desse nós ficamos fragilizados. Mas ao mesmo tempo estamos passando por um processo de reformulação e tendo a humildade de olhar para o nosso próprio umbigo, repensando nossas atitudes e técnicas que vêm sendo utilizadas", afirmou.
A reformulação começou no final de julho, logo após a posse de Farhat. Foram diversas transferências de delegados entre divisões, departamentos e delegacias. Mudanças que, segundo ele, geraram insatisfação de vários profissionais.
O delegado-geral destacou que um dos principais problemas são investigações pouco fundamentadas em provas técnicas. "É um trabalho de longo a médio prazo. Tenho insistido muito com os delegados em novas técnicas de investigação. Estou cobrando isso e dando ideias, promovendo treinamentos. Quero trazer mais profissionalismo à polícia e sem uma reformulação não há como se obter bons resultados", declarou.

Afastamentos
Três dos quatro delegados supostamente envolvidos em um esquema de corrupção dentro da Delegacia de Furtos de Roubos de Veículos (DFRV) de Curitiba serão afastados de seus cargos. São eles Marco Antonio de Góes Alves (titular do 10º Distrito Policial), Anderson Ormeni Franco (adjunto da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas), e Gerson Machado (titular da Delegacia de Quatro Barras). O outro denunciado, Luiz Carlos de Oliveira, ex-chefe da Divisão de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP), já havia sido afastado de suas funções. Os demais 16 investigadores também serão afastados.
A informação foi confirmada por Riad Farhat e oficializada pelo Conselho da Polícia Civil na tarde de ontem. Conforme a assessoria da instituição, os substitutos dos delegados afastados devem ser anunciados hoje. O Gaeco já havia pedido o afastamento dos policiais à Justiça, mas a solicitação ainda não foi avaliada. "Eles serão afastados temporariamente até que as provas apresentadas sejam analisadas pela corporação", explicou.
Outra mudança, prevista para as próximas semanas, é a implantação da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa, que seria uma readequação da Delegacia de Homicídios. Esta unidade terá competência para atender todos os casos de mortes violentas de Curitiba e região e poderá assumir investigações no interior. Posteriormente, adiantou o delegado, esta iniciativa deve ser expandida para outras regiões do Estado.

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