Curitiba - O delegado Rubens Recalcatti, titular da Divisão de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP), foi preso ontem em sua casa na capital paranaense, durante diligências da operação Aquiles, desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público (MP) do Paraná. Ele e mais sete investigadores de polícia são suspeitos de terem cometido um homicídio em Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Dos oito mandados de busca e apreensão, prisão temporária e condução coercitiva, expedidos pela Vara Criminal do município, cinco foram cumpridos ontem – os demais seriam efetuados pela Procuradoria da Polícia Civil (PC).
As investigações dizem respeito à morte de Ricardo Geffer, ocorrida em 28 de abril, na cidade da RMC, em um suposto confronto com policiais civis. A vítima teria participado, alguns dias antes, em uma quadra de futebol, do assassinato do ex-prefeito de Rio Branco do Sul João Dirceu Nazzari, que era primo do delegado. Um funcionário do ex-prefeito também foi atingido e faleceu. Os autores dos disparos estavam encapuzados e não foram identificados. Na casa de Recalcatti, o Gaeco encontrou um revólver calibre 38, sem registro. Também foram apreendidos pen drives, documentos e valores em dinheiro.
De acordo com o coordenador do Gaeco, Leonir Batisti, tudo indica que houve uma execução. "Segundo consta, o Ricardo Geffer foi alvejado quando estava já com algemas. O que acontece é que a polícia de Curitiba percorreu 60 quilômetros para ir ao encontro dele, dizendo que estava investigando uma situação de tráfico, sendo que Rio Branco do Sul possui delegacia. Chegando lá, o rapaz se entregou, botando as mãos para cima, mas acabou sendo algemado e depois morto", afirmou. Batisti lembrou ainda que, na época, o delegado respondia pela Delegacia de Furtos e Roubos da Capital e que "convocou" vários policiais para a "incursão".

SUPLENTE DE DEPUTADO
Rubens Recalcatti foi candidato a deputado estadual nas últimas eleições, pelo PSD, tendo ficado como suplente da coligação. Fez 40.358 votos, dez a menos que o radialista Luiz Carlos Martins, seu correligionário, que conseguiu ser eleito. Ele e os demais detidos foram encaminhados para a sede do Conselho de Operações Policiais Especiais (Cope), em Curitiba. A FOLHA tentou contato com o advogado do delegado, Claudio Dalledone, mas não teve retorno até o fechamento da edição.
Sem citar nomes, o Departamento da Polícia Civil (DPC) informou que, por meio de sua Corregedoria Geral (CGPC), já vinha investigando a situação. Conforme o órgão, na última quinta-feira a CGPC ouviu uma testemunha que estava no local do crime, motivo pelo qual avocou o inquérito policial instaurado na comarca para apurar o caso. "Vale ressaltar que esta testemunha já havia sido intimada pela corregedoria para ser ouvida, porém não compareceu. O DPC, através da CGPC, acompanhará a conclusão da operação do Gaeco e está à disposição do Ministério Público para colaborar com o que for necessário para o esclarecimento dos fatos", diz a nota.

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