São Paulo, 27 (AE) - O assassinato do delegado de polícia Jefferson Gotfrid Randmer, de 34 anos, com dez tiros, na noite de ontem, revoltou os policiais e levou a Associação dos Delegados de Polícia do Estado a fazer críticas contra o governo. Randmer foi morto na Vila Nhocuné, na zona leste de São Paulo, por dois ladrões. Estava com a mulher, Sirlene Randmer, e a cunhada, Denise, quando foi dominado.
Com uma pistola automática na cintura, o policial levantou os braços, disse que os ladrões poderiam levar tudo e pediu para eles não atirarem. Como resposta recebeu os tiros no peito, na barriga, nos braços e no pescoço. "Eles mataram meu marido sem que ele fizesse qualquer gesto", disse Sirlene. Eles estavam casados havia oito anos e haviam decidido, à tarde, adotar um bebê. Depois de matar Randmer, os ladrões ameaçaram atirar nas mulheres e fugiram no automóvel do policial, um Tempra, encontrado na manhã de hoje, próximo de uma favela, sem o toca-fitas.
Roubaram também a pistola Glock do delegado. A polícia elaborou o retrato falado dos suspeitos, com base nas informações da esposa e da cunhada da vítima e de uma testemunha. Na tarde de hoje, os suspeitos foram presos em São Mateus, na zona leste. Estavam com um Astra roubado e, segundo o delegado Ivaney Cayres de Souza, da Seccional Leste, são apontados, ainda, como responsáveis por outro assassinato ocorrido na madrugada. Bandidos - Paulo Fortunato, presidente da Associação dos Delegados, declarou que a política de segurança do governo Mário Covas tirou a autoridade dos policiais e "deu forças aos bandidos". Randmer é o segundo delegado assassinado por ladrões
em 60 dias. "Estamos atingindo um estágio incontrolável de insegurança em São Paulo, vivemos o momento do salve-se quem puder".
Fortunato disse que a situação de insegurança no Estado atinge a todos. Para ele, é preciso que o governador e o secretário da Segurança Pública, Marco Vinicio Petrelluzzi, protejam os policiais e não os bandidos. Fortunato é contrário à cobrança da taxa de segurança, de R$ 2,50 por mês, proposta pelo secretário. "Não precisariam criar nenhum imposto se deixassem a polícia trabalhar".
Crime - Randmer fez 34 anos no dia em que foi morto. Às 20 horas
ele parou o Tempra em frente da casa da cunhada, na Rua Urbano Pereira. Os ladrões, um mulato e um branco, anunciaram o assalto. Estavam no Gol de placa CMB-7852 roubado no início da noite de Olga Maciel Rio Branco. Randmer era filho do investigador Axel Gotfrid, já morto, e primo do delegado Douglas Augusto Randmer de Siqueira.
Pretendia prestar concurso para o Ministério Público e Poder Judiciário. Antes de ser delegado, trabalhara por três anos como investigador. Lotado no Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra), desde fevereiro, dizia aos colegas que jamais reagiria a um assalto, pois já havia sido vítima de ladrões duas vezes.

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