Delegado é metralhado durante tentativa de assalto em SP
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quarta-feira, 02 de fevereiro de 2000
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 02 (AE) - Perseguido por três ladrões que pretendiam roubar seu carro, um Fiat Marea, o delegado Luciano Heitor Beiguelman, de 31 anos, supervisor do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil, foi assassinado com 11 tiros de metralhadora e de pistola calibre 9mm. O crime aconteceu ontem (01) à noite, na Rua Tabapuã, no Itaim-Bibi, zona sul de São Paulo.
Um dos assassinos, Carlos Fernando Manão, de 24 anos, condenado a 5 anos e 4 meses por assalto, foi preso porque, durante a fuga, deixou cair seu celular no Santana usado pelo trio. Os policiais fizeram buscas em prontos-socorros para tentar identificar um ladrão que sabiam ter sido baleado. Na ficha de atendimento de Manão no Hospital Pio XI, em Guarulhos, constava o número da casa de seu pai, idêntico a um que estava na memória do celular.
A equipe do GOE esteve no endereço e foi levada à casa dos tios, na Vila Mazzei, zona norte, onde prendeu Manão. Mesmo ferido a bala no ombro e de raspão no rosto na tentativa de assalto ao delegado, Manão reagiu à voz de prisão e foi baleado nas nádegas. Ele contou que o grupo pretendia levar o Marea para fazer assaltos, mas o policial reagiu e o feriu com um tiro de raspão no rosto. "Fiquei furioso: resolvemos seguir e acabar com ele."
O carro do delegado foi parado por uma rajada de metralhadora depois de uma perseguição que durou alguns minutos pelas ruas do Itaim. Mesmo ferido, o policial ainda atirou na direção dos assaltantes, que desciam do Santana. Com Beiguelman ferido, os três criminosos deram mais tiros de metralhadora calibre 45 e um último, de pistola 9 mm, na nuca do delegado. Depois entraram no Santana e foram embora.
Manão disse que somente ao ser preso soube que matara um delegado de polícia. O ladrão estava acompanhado de Anderson de Oliveira, de 24, o Monstro, fugitivo da Penitenciária de Franco da Rocha, e Alan de Lima, de 23, processado por assaltos.
Mais de 150 policiais participaram da caçada aos assassinos. Alguns dos colegas de Beiguelman chegaram a suspeitar de assassinato por vingança. Há quatro anos, o delegado matara um ladrão e prendera outro, numa tentativa de assalto ao seu carro.
Enterro -No enterro de Beiguelman, no Cemitério Israelita do Butantã, na zona oeste, hoje à tarde, os policiais reclamaram da insegurança em São Paulo. Um delegado afirmou que a polícia precisa reagir à impunidade dos criminosos e exigir do governo mais apoio para os policiais e menos proteção para os bandidos.Beiguelman era delegado desde 1992. Tinha sido o primeiro de sua turma na Academia de Polícia e há três anos estava na chefia do GOE.
Na noite de ontem, depois de deixar o Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), em Pinheiros, zona oeste, encontrou-se com colegas. Por volta das 22h30, decidiu ir para casa, na Rua Bandeira Paulista, Itaim. O carro do policial começou a ser perseguido durante o trajeto, na Avenida Juscelino Kubitschek.
Manão e os cúmplices tinham deixado a zona norte no começo da noite, no Santana, roubado no dia 31 no bairro da Casa Verde. O objetivo dos criminosos era assaltar motoristas de carros importados na região dos Jardins e do Itaim, ficar com o veículo e forçar seus donos a sacar dinheiro de caixas eletrônicos.
Audi - O trio estava armado com uma metralhadora, uma pistola automática 9 mm, uma automática ponto 40 e um revólver calibre 22, com silenciador. Segundo Manão, na Juscelino eles decidiram seguir um Audi azul. Monstro, que dirigia o Santana, encostou ao lado do Audi num semáforo. Manão, sentado no banco de trás, apontou a metralhadora para o motorista, um empresário - ele foi identificado pela polícia, mas pediu para não ter seu nome e o número da placa do automóvel revelados.
Como o Audi é blindado, o motorista arrancou, com o Santana em seu encalço. O ladrão forçou um choque com o Audi. A lanterna traseira direita foi atingida, mas o empresário continuou acelerando. Irritado, Manão mandou o cúmplice emparelhar novamente e deu um tiro no pára-lama direito do Audi. Por causa da blindagem, a bala ricocheteou, deixando apenas uma marca. O empresário conseguiu fugir.
Novo carro - Com a lataria do Santana amassada, os ladrões decidiram pegar outro carro. Tinham rodado menos de 500 metros quando viram o Marea. O Santana encostou no carro, num semáforo da Juscelino, e Manão apontou o cano da metralhadora, mandando o delegado encostar.
Beiguelman atirou e saiu em velocidade, tentando avisar pelo rádio de comunicação da polícia que estava sendo perseguido. Os assaltantes passaram a dar tiros no Marea. Alcançaram o delegado na esquina da Tabapuã com a Clodomiro Amazonas, onde fizeram vários disparos.
O vigia de um prédio que estava próximo dos veículos - cujo nome também está sendo mantido em sigilo - contou que o delegado atirou nos ladrões, que desceram do Santana disparando. "O rapaz ferido no ombro (Manão) gritava e dava tiros no outro (Beiguelman)", contou. "Depois encostou o cano da arma e deu mais um tiro no rapaz que estava no carro."
Golf - Os assaltantes abandonaram o Santana na Rua Tabacow, também no Itaim, e roubaram o Golf vermelho de um casal que entrava num restaurante. Na fuga, Manão deixou o celular no banco de trás do Santana. Monstro e Lima levaram a metralhadora, mas deixaram a pistola 9mm, um carregador de metralhadora com munição 45 e a pistola ponto 40. Manão foi levado pelos cúmplices ao Pio XI. Ele alegou ter sido vítima de assalto para justificar os ferimentos.


