São Paulo, 07 (AE) - A fuga de 345 presos da Cadeia Pública do Putim, em São José dos Campos, provocou o afastamento do delegado-seccional da cidade, Carlos Eduardo Silveira Martins, e do diretor da cadeia, o delegado Gilmar Guarnieri Garcia. A medida foi anunciada hoje pelo secretário da Segurança Pública, Marco Vinício Petrelluzzi. "As chefias, mesmo que não envolvidas diretamente, são responsáveis pela má-administração"
disse. "Por isso, pedi a substituição." Foi a maior fuga já ocorrida no País.
Além de anunciar o afastamento dos delegados, o secretário disse que também está sendo estudada a mesma medida quanto a todos os 17 carcereiros que estavam de plantão ontem (06), no momento da fuga. "Com certeza absoluta houve ajuda deles, pois não é possível que aconteça isso sem participação dolosa." Horas depois da fuga, um dos carcereiros foi preso em flagrante e acusado de tê-la facilitado.
O secretário determinou a abertura de inquérito policial para investigar o caso. Ele será presidido pelo novo delegado-seccional da cidade, Roberto Monteiro de Andrade Junior
que, até então, dirigia a Delegacia Seccional de Jacareí, também no Vale do Paraíba. Para chefiar a cadeia do Putim foi nomeado o delegado Luiz Aílton Valias Borges, que era o titular do 8.º Distrito Policial de São José dos Campos.
Dois promotores, Cláudia Fedeli e André Araújo Lima, foram designados pelo procurador-geral de Justiça, Luiz Antonio Marrey
para acompanhar o caso. Além da fuga de ontem, o inquérito vai apurar uma série de irregularidades na cadeia. Há denúncia de compra de fugas, de pagamento de propina em troca de regalias para um grupo de presos, como dormir em uma barracão separado dos demais detentos e ter telefone à disposição.
Boas condições - A Cadeia Pública do Putim foi construída nos moldes dos cadeiões existentes na Grande São Paulo. Ela tem uma muralha externa e duas portas de ferro que controlam a entrada e saída. Depois, há um pátio com cerca de 20 metros de largura até o prédio em que ficam as quatro alas com as celas, também fechado por portas de ferro. No meio de cada ala, existe um pequeno pátio. A cadeia do Putim já havia registrado duas outras grandes fugas antes da de ontem. Em dezembro de 1996, 156 detentos escaparam pela porta da frente e, em novembro do ano seguinte, foi a vez de 197 presos fugirem.
Mesmo assim, o secretário afirmou que as condições de segurança no Putim são boas. "Essa cadeia não tem problemas estruturais, mas de administração." Petrelluzzi descartou a possibilidade de desativar o presídio. "A fuga dos presos está relacionada ao comportamento, no mínimo, inadequado de alguns policiais."
Segundo o secretário, entre os comportamentos inaceitáveis está o fato de o carcereiro entrar nas celas levando as chaves das portas de ferro nas mãos, deixando-as abertas. "Isso é uma coisa primária que não pode acontecer." Por enquanto, o delegado-regional de São José dos Campos, responsável pela polícia no Vale do Paraíba, Antônio Carlos Gonçalves da Silva, está mantido no cargo.
Reforços - O secretário determinou, ainda, o envio para São José dos Campos de reforços da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) , do Comando de Operações Especiais (COE), do Canil e do Regimento de Cavalaria, todos da PM, e do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) da Polícia Civil
além de helicópteros para participar das buscas aos fugitivos. "São mais de 80 carros com mais de 150 homens."
Foi uma equipe da Rota que matou um dos fugitivos hoje. Os reforços devem permanecer na região até quando eles forem necessários. Segundo Petrelluzzi, a fuga não aumentou o número de ocorrências policiais na região. "A população está assustada e com razão, pois mora em uma cidade em que alguém abriu a porta da cadeia e fugiu todo mundo."

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