São Paulo, 08 (AE) - O novo delegado titular da Divisão de Investigações Sobre Furtos e Roubos de Veículos e Cargas (Divecar) da Polícia Civil de São Paulo, Benedito Costa Pimentel, prometeu, hoje, atacar a figura do receptador de cargas como principal meio de combater o roubo de cargas e caminhões. A polícia já sabe qual o perfil do receptador e o quanto é difícil flagrá-lo, já que é o homem responsável pelo armazenamento dos produtos roubados e criador de uma rede de revenda das mercadorias. Ou seja, ele está no alto da pirâmide de um comércio clandestino que envolve milhões de dólares.
Em 1998, o Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Carga de São Paulo e Região (Setcesp) calculou um prejuízo de US$ 122,459 milhões às suas transportadoras associadas. Esse número refere-se apenas ao transporte organizado de São Paulo. Não inclui os autônomos (caminhoneiros de estrada). Calcula-se que o prejuízo total do setor no Brasil seja, no mínimo, o dobro disso.
Pimentel esteve dia 5 na sede do Setcesp, em São Paulo, falando a uma platéia de 150 empresários do setor. Com 33 anos de polícia, o delegado assumiu este mês seu cargo na Divecar, departamento responsável pelo trabalho de repressão ao roubo de cargas. "Se a figura do receptador for eliminada ou contida, o furto acaba", afirmou. Questionado se era possível mencionar um único receptador julgado e preso, o delegado desconversou. A polícia não conseguiu colocar até agora nenhum "peixe grande" na cadeia.
Organização - Segundo Pimentel, há atualmente três tipos de criminoso: aquele que não é organizado e que, portanto, cai facilmente nas mãos da polícia; o ladrão que tem um nível de organização maior, mas não "profissional"; e o criminoso que faz parte de uma rede de comércio clandestino de carga, comandada pelo receptador. O terceiro tipo é o mais perigoso e só é flagrado depois de um trabalho de investigação. "Nessas quadrilhas, cada ladrão é responsável por uma etapa do roubo; a pessoa que participa do assalto ao veículo não é a mesma que chega ao armazém do receptador para guardar a carga", explica. "O ladrão A não conhece o ladrão B, que não conhece o C; e nenhum se encontra com o ladrão D, o receptador, mas este conhece todos".
A investigação da polícia, diz o delegado, só tem resultado quando a comunidade envolvida com o problema resolve cooperar. "A ajuda que o transportador pode nos dar é nos manter sempre informados", declarou. Segundo ele, a população também pode denunciar armazéns clandestinos que tenham movimentação suspeita.
O delegado Pimentel admitiu que o trabalho de repressão é difícil, pois a polícia tem problemas com a falta de efetivos (existem 30 investigadores na divisão) e de carros (13 no total) para fazer a ronda nos pontos críticos e nos terminais de carga, além da falta de um armazém para reter a carga apreendida. Mesmo assim, ele espera conseguir realizar este ano um programa diário de repressão em São Paulo.

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