Maceió, 10 (AE) - O delegado da Polícia Civil Cícero Torres disse hoje ter sido surpreendido com a notícia de que o Ministério Público estadual pretende pedir abertura de inquérito policial para investigar a sua participação e a do médico legista Fortunato Badan Palhares na primeira fase de investigação das mortes de Paulo César Farias e Suzana Marcolino. "Não fiz nada isolado", disse Torres. "Todos os atos do inquérito foram acompanhados por um delegado da Polícia Federal por representantes da OAB de Alagoas, Ministério Público Federal e Estadual."
Para o delegado, estão querendo encontrar culpados a qualquer custo. "Continuo com a convicção de que realizei um trabalho sério, acompanhado pelas maiores autoridades do Estado, portanto não tenho nada a temer", afirmou Torres. Segundo ele, 11 peritos assinaram o laudo com Palhares. "Eu não assinei laudo nenhum", garantiu Torres, lembrando que depois dele mais três delegados investigaram o caso.
O promotor Luiz Vasconcelos confirmou que irá pedir a abertura de inquérito policial para investigar a atuação de Torres e Palhares na primeira fase do inquérito sobre as mortes de PC e Suzana. O pedido será encaminhado até segunda-feira ao secretário de Segurança Pública de Alagoas, Edmilson Miranda, assim que o promotor entregar seu parecer sobre o caso ao juiz Alberto Jorge Correia de Lima. Vasconcelos vai indiciar os quatro Pms que trabalhavam como segurança de PC, mas não sabe ainda se irá denunciar as outras quatro pessoas que estavam na casa no dia do crime.
Vasconcelos disse ter encontrado "falhas gritantes" na primeira fase do inquérito, por isso quer saber se houve dolo ou negligência por parte daqueles que estiveram à frente das investigações. "O Ministério Público não poderia ser omisso a ponto de não questionar falhas graves cometidas por pessoas tidas como competentes", justificou Vasconcelos, acrescentando que "as falhas que foram identificadas não deveriam ter ocorrido". Entre as falhas registradas estão a não realização de exame residuográfico nas mãos das pessoas que estavam na casa no dia do crime.
O juiz Alberto Jorge, da 2ª Vara Especial Criminal, contou ter alertado Vasconcelos sobre as falhas existentes na primeira fase do inquérito, porque caberia ao promotor tomar a iniciativa de pedir à autoridade policial a investigação das pessoas responsáveis por essas falhas. "Eu ainda não tomei conhecimento oficial sobre a decisão do promotor, mas se ele solicitar a abertura de inquérito para apurar se houve má-fé das pessoas que conduziram a primeira fase de investigação, conta com o meu apoio", disse.