Delegado diz ter indício de crime na ajuda ao Marka
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2000
Por Gustavo Alves 
Rio, 12 (AE) - A Polícia Federal (PF) tem "indícios suficientes" de que houve crime na operação de ajuda do Banco Central (BC) ao Banco Marka, no início de 1999, informou hoje o delegado Luiz Pontel de Souza, responsável pelas investigações. O procurador da República Bruno Caiado, que iniciou as investigações do caso, admite que há indícios de formação de quadrilha no caso.
O inquérito principal sobre o caso deve terminar "em breve", com indiciamentos de envolvidos, segundo Pontel - sem especificar as irregularidades praticadas nem quem será apontado como responsável. "Neste momento, não gostaria de declinar nada", justificou.
"As investigações demonstram que não estamos lidando com indivíduos isolados, mas com grupos que se interrelacionam"
afirmou Caiado, ao explicar a demora no andamento do inquérito principal, que apura suspeita de corrupção na ajuda do BC ao Marka.
Ao comentar as dificuldades para terminar este inquérito principal, o procurador também deixou claro que a PF também investiga remessas de dinheiro para o Exterior. "Temos enfrentado os limites da logística e de pessoal para realizar o trabalho, além de dificuldades com as fronteiras naturais do País", afirmou Caiado.
A PF investiga as razões que levaram o BC a vender, no mercado futuro, dólares a preço mais baratos do que no mercado à vista, durante a mudança do regime cambial do BC, quando o economista Francisco Lopes presidiu a instituição. A mudança do regime de câmbio por Chico Lopes causou prejuízos ao Marka e aos fundos administrados pelo banco do empresário Salvatore Cacciola - que, diante disso, buscou ajuda do BC.
A apuração do caso Marka provocou o indiciamento de Chico Lopes e Cacciola, mas em inquéritos que não apuram a operação de ajuda. Chico Lopes foi indiciado ontem (11) por evasão ilegal de divisas, por causa do bilhete descoberto em seu apartamento onde está escrito que ele tem US$ 1,65 milhão no Exterior, em nome do sócio na consultoria Macrométrica, Sérgio Bragança.
Cacciola, informou Pontel, foi indiciado por posse, sem autorização, de uma carabina calibre 12 importada achada num automóvel na vaga da garagem de seu apartamento, que também pode ser contrabandeada, de acordo com as suspeitas da PF. A arma e o bilhete foram descobertos durante as operações de busca e apreensão de documentos realizada pela PF para apurar o socorro do BC ao Marka, que teve prejuízos com a mudança do regime de câmbio brasileiro, durante a gestão de Chico Lopes na presidência da instituição.
O advogado do ex-presidente do BC, Luiz Guilherme Vieira
acusou hoje o delegado Deuler Rocha, da PF, de ter indiciado Chico Lopes porque ele apenas exerceu o direito de não dar declarações sobre o bilhete na fase das investigações policiais. "Ao determinar o indiciamento com base no exercício de um direito, há a confirmação de que ele não tem nada", criticou Vieira.
Segundo Vieira, o indiciamento teria sido realizado mesmo que Chico Lopes tivesse se defendido perante a PF. "Ninguém duvida do massacre que o professor Chico Lopes sofreu, e isso é mais um massacre que ele vai sofrer", previu. "Achar que o silêncio é um indício é voltar à inquisição", queixou-se. O advogado não quis dar explicações sobre a origem do bilhete que provocou a abertura do inquérito - reafirmando que as explicações serão dadas na Justiça, se houver abertura de processo.


