Delegado diz que não encontrou bala e cria polêmica2/Mar, 18:17 Por Evandro Fadel Curitiba, 02 (AE) - Uma polêmica tomou conta dos bastidores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara dos Deputados hoje, em Curitiba: houve tiro na porta da Assembléia Legislativa do Paraná durante a madrugada? De acordo com deputados da comissão, não há dúvidas de que a causa do tumulto que se estabeleceu no plenário foi um tiro, enquanto o delegado que investiga o caso, Fauze Salmen, da Delegacia de Homicídios, afirma que não foi encontrado nenhum vestígio de bala e questiona a possível trajetória. "A princípio, ela tinha de desviar-se de vários obstáculos para atingir o objetivo", disse Salmen. Segundo ele, foi realizado um trabalho de perícia técnica, com laser, varredura e análise do vidro atingido, que ficou em pedaços. "Todas as possibilidades foram descartadas", disse. "Na varredura, não foi encontrado o projétil." Ainda de acordo com Salmen, os buracos encontrados num tapume e na parede são antigos. O deputado Robson Tuma (PFL-SP) rebateu as afirmações do delegado. Segundo Tuma, há imagens de televisão mostrando dois policiais militares afirmando a ele e ao relator da CPI, Moroni Torgan (PFL-CE), que, antes de o vidro se esfarelar, eles puderam ver um buraco, provavelmente causado por um tiro. Tuma também disse ter encontrado dois pedaços de tinta, que se encaixavam no buraco da parede. "Não pode todo o trabalho técnico ser contestado por um pedaço de tinta encontrado", disse Salmen. Ele afirmou que está preocupado em mostrar que, no Paraná, "há uma perícia séria". "Senão, doravante, todo mundo vai colocar em dúvida os laudos da perícia." O presidente da CPI, Magno Malta (PTB-ES), disse que pedirá uma perícia especial. "Não podemos desmerecer o fato pois todos sabemos que houve uma tentativa de intimidação", afirmou. O deputado Roque Zimmerman (PT-PR) denunciou também que, cerca de duas horas antes do episódio na Assembléia, a casa do informante da polícia Edison Nunes, que se apresentou como testemunha numa acareação com o policial Reginaldo Moreira, na madrugada de hoje, também teria sido alvo de tiros. O delegado do grupo Fera, Adauto de Abreu Oliveira, disse que não soube desse episódio e que a testemunha estava sob proteção dos policiais da equipe dele.