Delegado diz que morte de aluno foi causada por falha na segurança
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Agência Estado 
A Polícia de Guarujá continua ouvindo os adolescentes diretamente envolvidos no espancamento do estudante Diego Gonçalves dos Santos, de 12 anos, que morreu domingo em consequência de traumatismo craniano provocado por uma brincadeira chamada de corredor polonês. No primeiro depoimento prestado na terça-feira ao delegado Maurício Barbosa Júnior, do 2º Distrito Policial de Vicente de Carvalho, um adolescente de 15 anos, apontado como um dos responsáveis pela agressão, descartou a intenção de machucar o garoto e que, na verdade, ele e mais três colegas participavam de um empurra-empurra, brincadeira muito comum nas escolas e que consiste em bater na parede a cabeça do aluno que não acerta as perguntas feitas pelo grupo.
Diego foi espancado na manhã de quinta-feira, enquanto participava da aula de educação física na EEPSG Marechal do Ar Eduardo Gomes, localizada junto à Base Aérea de Santos. Com fortes dores no corpo e na cabeça, foi internado sábado no Hospital Santo Amaro, onde veio a falecer às 23 horas. Inconformado com a notícia de que o filho teria sido espancado, Francisco Lourenço dos Santos Filho denunciou o fato na delegacia, que abriu inquérito para apuração.
Ontem o titular da Delegacia da Criança e do Adolescente (Deca), Júlio Arakaki, disse que dificilmente os agressores do garoto serão punidos. Acredito que a conclusão do inquérito apontará a imprudência dos estudantes e que não houve dolo (intenção) de matar o menino, afirmou. De acordo com o delegado, ficou evidente que houve falhas na vigilância da escola. Lamentavelmente o estudante foi morto, mas o fato deverá servir de alerta aos dirigentes das demais escolas, frisou.
Arakaki acredita que o Juizado da Infância e da Adolescência acompanhará de perto o processo e que, se os autores da agressão forem realmente enquadrados pelo ato infracional de homicídio culposo, poderão ser punidos com medidas sócio-educativas, que representam a prestação de serviços à comunidade.
Por outro lado, a mãe de Diego, Rosângela Gonçalves, anunciou que pretende processar o médico que atendeu seu filho no Hospital Santo Amaro, em Guarujá, por negligência. Ela contou que tanto ela quanto o marido solicitaram que fosse feita uma tomografia no garoto, em razão do forte inchaço no rosto e, sobretudo na região dos olhos.
Alegando que o inchaço teria sido provocado por uma alergia aos antiinflamatórios, o neurocirurgião de plantão requisitou outros exames, mas não levou em conta o pedido dos pais. Rosângela confirma que foram feitas radiografias do abdômem, do tórax e da face, mas acredita que o hospital não utilizou todos os recursos necessários para salvar seu filho.


