Rio, 05 (AE) - O delegado federal Aldeir Bório disse hoje que está elaborando um novo dossiê sobre o crime organizado no Estado em que aparecem nomes de desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio envolvidos com o narcotráfico. "Existem magistrados financiando o tráfico", afirmou Bório, que mantém os nomes sob sigilo para não atrapalhar as investigações. "O levantamento mostrará a conexão entre desembargadores e traficantes", garantiu. O dossiê está sendo preparado pela equipe de agentes federais da Delegacia Repressão a Entorpecentes da PF (DRE) e começou esta semana.
As investigações também deverão apontar, segundo Bório, a ligação de pessoas de classe média alta, como empresários, com organizações criminosas na compra, venda e distribuição de armas e drogas. "Há muita gente da classe média alta ligada ao tráfico", ressaltou. De acordo com o delegado, o levamento deverá ficar pronto em breve e vai provocar uma grande repercussão.
A suspeita de envolvimento de pessoas de classe média com o crime organizado começou com a prisão por agentes federais do traficante Marco Antônio da Silva Tavares, o Marquinho, de 32 anos, ocorrida sábado em São Matheus, no Espírito do Santo. Além dele, foram presos seus irmãos, Marcelo e Alceste Silva Tavares; a mãe, Edwiges do Espírito Santo Tavares; um advogado, cujo nome não foi revelado pela PF, e das amantes Marlinda Rodrigues Arevalo e Síliva Letícia Sá de Souza. Todos estão presos na sede da PF, no centro do Rio.
De classe média alta e dono de dezenas de imóveis na Praia de Icaraí, em Niterói, no Grande Rio, o criminoso é apontado pela polícia como o responsável pelo abastecimento de 30% da cocaína que chega às favelas do Estado e de fornecer drogas para pessoas de classe média alta.
Segundo Bório, a quadrilha de Marquinho tem ligação com o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, que está foragido. "Marquinho compra a droga de Beira-Mar para vendê-las ", explicou o delegado.
A conexão entre os dois criminosos foi constatada pela PF com o depoimento de Marlinda, presa num luxuoso apartamento na Praia de Iacaraí, na semana passada. Ela teria a função na quadrilha de tratar dos "negócios" (compra e pagamento de droga) entre Marquinho e Fernandinho Beira-Mar. Além disso, Marquinho também seria achado por policiais civis à exemplo de seu colega do tráfico.
Na próxima semana, Marquinho prestará depoimento e deverá fornecer os nomes de seus compradores. De acordo com o delegado, com o traficante foram apreendidos dezenas de papéis e documentos que estão sendo examinados e investigados por agentes federais. "Eles podem revelar nomes de consumidores, compradores ou até mesmo uma pista de Fernandinho Beira-Mar", disse Bório.
Fernandinho Beira-Mar - O delegado afirmou que na ligação telefônica que manteve com Fernandinho Beira- Mar, durante 20 minutos e ocorrida há cerca de dois meses, o traficante disse apenas que sofria extorsão de policiais da Delegacia Reprensão à Entorpecentes da Polícia Civil (DRE), então dirigida pelo delegado Cláudio Góes, mas não revelou os nomes. Segundo Bório, o traficante revelou o achacamento, porque havia tido um cunhado sequestrado por policiais da DRE.
Hoje, o delegado Cláudio Góes disse que as investigações que o denunciaram como o responsável pelas extorsões a Fernandinho Beira-Mar foram injustas. Ele disse que na época da operação que resultou na prisão de integrantes da quadrilha do traficante havia uma outra operação desencadeda pela Coordenadoria de Inteligência e Apoio Policial da Polícia Civil (CISP). "A minha equipe não extorquiu Fernandinho Beira-Mar", garantiu Góes.

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