Delegado diz que falsificação de liminar envolve 'pessoas importantes'
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terça-feira, 21 de março de 2000
Por Nelson Francisco (especial para a AE) 
Cuiabá, 22 (AE) - O delegado de Nova Xavantina, no Leste de Mato Grosso, Jales Batista da Silva, afirmou hoje que a falsificação de uma liminar que teria sido dada pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), envolve "pessoas importantes da região".
Silva, no entanto, não citou nomes. A falsa liminar "autorizava" o prefeito afastado da cidade, Esdras Rodrigues Fernandes, a reassumir o cargo. A Polícia do Mato Grosso continua procurando os falsificadores da liminar. "As investigações estão bem adiantadas", limitou-se a informar o delegado de Nova Xavantina. "A polícia já tem uma boa linha de investigações: precisamos apenas de um pouco mais de tempo."
O prefeito está foragido desde a confirmação, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), da decretação da prisão preventiva dele pelo Tribunal de Justiça (TJ).
O prefeito é acusado de ser o mandante do assassinato do então prefeito José Frederico Fernandes. Com a morte de Fernandes, ele assumiu o cargo. Após a derrota no STJ, Fernandes recorreu ao STF. O crime ocorreu em 1999. O processo foi distribuído para Mello, que negou, no dia 9, um pedido de liminar interposto pelos advogados do prefeito.
O golpe da liminar falsa foi descoberto dia 13. A cópia do documento que circulou pela cidade continha erros primários, como o despacho manuscrito - uma prática incomum no do STF. O ministro afirmou que não emitiu nenhuma liminar em favor do prefeito. O inquérito foi instaurado a pedido do promotor de Justiça Arnaldo Justino, informou o delegado, para apurar a autoria da falsificação. A cidade está sendo administrada pelo presidente da Câmara Municipal, Névio Lorenzet (PFL).


