Delegado diz que CPI voltou à Inquisição
São Paulo, 13 (AE) - Acusado de fazer parte da "banda podre" da polícia paulista, o delegado Marcelo Teixeira Lima afirmou que os métodos da CPI do Narcotráfico são uma volta à "fase da inquisição". Na tarde de ontem (12), ele foi reconhecido pelo informante Laércio Cunha no plenário da CPI. "Depois que acabar esse tormento, pretendo tirar minhas sete férias acumuladas e deixar a polícia", afirmou.
Lima entrou na polícia em 1981 - foi guarda de presídio, policial militar, escrivão e investigador, antes de passar no concurso para delegado em 1994. Desde então, trabalha no Departamento de Investigações de Crimes Patrimoniais (Depatri). "Nesses 18 anos, nunca respondi a nenhum processo criminal, nem tive punição administrativa."
Casado e pai de dois filhos, o delegado diz que a acusação feita pelo informante Laércio Cunha na comissão revirou sua vida. "Minha imagem nunca mais será resgatada", lamentou. Ele contou que sua mulher, professora em uma escola privada há dez anos e advogada na área civil, emagreceu quatro quilos. "Meu filho ficou 15 dias sem ir à escola porque não tinha como encarar os colegas." Lima também disse que, para alguém acusado de liderar o narcotráfico, seu patrimônio é modesto. "Moro em um imóvel da periferia da zona norte, próximo da Favela da Serra Pelada." Além do sobrado, ele afirmou possuir dois veículos.
Ele negou conhecer o informante que o acusa. "Mas, não me causa surpresa ele ter me reconhecido." Isso, porque, segundo o delegado, na semana passada seu rosto apareceu em todos os jornais, ao lado dos senadores Jader Barbalho e Antonio Carlos Magalhães, presidente do Senado.





