Maceió, 31 (AE) - O delegado da Polícia Civil alagoana Antônio Carlos Lessa disse hoje que as mortes de Paulo César Farias e Suzana Marcolino não ficarão sem autoria conhecida. "Já temos elementos suficientes para denunciar os autores materiais pelo duplo assassinato, afirmou o delegado. Segundo ele, os seguranças Adeildo Costa e José Geraldo (ambos soldados da PM) são os principais suspeitos e deverão ser indiciados, com outros empregados de PC que estavam na casa de praia do empresário no dia do crime.
Lessa disse que o inquérito está em fase conclusiva. Ele prevê que até o final da próxima semana estará entregando o relatório conclusivo, de aproximadamente 10 paginas, ao juiz da 1ª Vara Criminal, Alberto Jorge Correia de Lima. O delegado disse que seu parecer poderá ser feito sem levar em conta a reconstituição do crime, caso o perito Ailton Villanova não entregue até o final desta semana o laudo sobre os últimos momentos de PC e Suzana.
O delegado também não irá esperar o resultado da sabatina com os legistas que assinaram laudos sobre o caso. Para Lessa, o resultado dessa sabatina é irrelevante. "As dúvidas que tínhamos sobre os laudos dos legistas Badan Palhares e Daniel Munhoz nós tiramos quando fomos a São Paulo" afirmou Lessa. Segundo o promotor Luiz Vasconcelos, os legistas serão sabatinados no dia 17 de junho, em Maceió. "Será uma oportunidade para esclarecer alguns pontos que permanecem obscuro entre os laudos, afirmou o promotor.
Segundo ele, os peritos que irão participar da sabatina já foram convidados. O objetivo é colocar frente a frente as equipes dos médicos legistas Fortunato Badaan Palhares, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e Daniel Romero Munhoz, da Universidade de São Paulo (USP). No laudo de Palhares
que defende a tese de crime passional, Suzana teria 1,67m de altura. No laudo de Munhoz, que aventa a possibilidade de duplo homicídio, a namorada de PC media 1,57m.
Vasconcelos confirmou que tomou conhecimento de um plano para assassiná-lo. O fato foi comunicado pelo próprio promotor à Secretaria de Segurança Pública de Alagoas e à Procuradoria Geral do Estado.
Segundo a informação recebida pelo promotor, pessoas da esfera policial interessadas no arquivamento do caso PC-Suzana teriam participado de uma reunião onde foi discutido o plano para matá-lo. O encontro teria acontecido na quinta-feira à noite, após a exibição do caso no programa Linha Direta, da TV Globo.
O depoimento do ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, coronel José do Azevedo Amaral, que deveria ter acontecido hoje foi transferido para amanhã (01) à tarde, por motivo de saúde. Pela manhã, os delegados vão ouvir na sede da Polícia Federal o depoimento da modelo Claudia Dantas - apontada na primeira fase de investigação como o pivô do crime. Também pela manhã, presta depoimento a comerciaria Daniela, que trabalhava na butique de Suzana e namorava o cabo PM Reinaldo, ex-chefe dos seguranças de PC.

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