Londrina – O delegado Renato Wasthner de Lima, preso por recebimento de propina na última segunda-feira durante a Operação Game Over 2, estava para se aposentar. Ele tinha 36 anos completos de serviço e era o mais velho do quadro da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp).
Segundo a Sesp, Lima foi detido em flagrante recebendo R$ 1,7 mil de propina de contraventores. Vale ressaltar que o salário de um delegado no final de carreira pode chegar a R$ 21,6 mil por mês.
Lima estava lotado havia dois anos na Delegacia de Rio Negro (Região Metropolitana de Curitiba), município que faz divisa com Mafra (SC).
A prisão do delegado fez parte de um rol de mandados cumpridos pelo Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Santa Catarina durante a Operação Game Over 2. O trabalho investigativo contra o jogo do bicho durou oito meses e culminou na prisão de dez pessoas, além do cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão em cinco municípios.
O Gaeco identificou que o jogo do bicho atuava nas cidades catarinenses de São Bento do Sul, Mafra, Rio Negrinho e Campo Alegre, além de Rio Negro. "Identificamos que a propina vinha sendo paga aos agentes públicos para que a exploração do jogo de azar ocorresse sem ser perturbada. Era um esquema organizado e bem extenso", observou o promotor Marcio Gai Veiga, de São Bento do Sul
Renato Wasthner de Lima, que estava em sua última semana de trabalho no município de Rio Negro, pois já havia sido publicada sua transferência para Lapa, está detido no Centro de Triagem de Curitiba. Além do processo criminal, ele também responde administrativamente pelo crime e pode ser exonerado da função. "Vejo com lástima, isso é uma traição de princípios já que o agente público tem compromisso de agir com boa fé, com poderes conferidos a ele pelo Estado, mas age contra os interesses públicos", criticou o coordenador do Gaeco no Paraná, Leonir Batisti.
Esta não é a primeira vez que o delegado Renato Lima é acusado de um crime. Em 2002 ele foi processado por prevaricação e corrupção passiva após uma fuga de presos na delegacia de São Mateus do Sul. A debandada ocorreu enquanto investigadores promoviam um churrasco na delegacia, enquanto Lima estaria em Curitiba resolvendo assuntos particulares com carro oficial.
O superintendente da Delegacia de Rio Negro e um PM catarinense também foram detidos. O grupo é acusado de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva.

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