Delegado depõe e responsabiliza IML por controle de droga
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quarta-feira, 17 de novembro de 1999
Por Renata Rondrino 
Campinas, SP, 17 (AE) - Foi suspenso há pouco o depoimento do ex-delegado titular da delegacia de investigação sobre entorpecentes, Ricardo de Lima, à CPI do Narcotráfico. Ele ocupava o cargo no início do ano, época em que 340 quilos de cocaína apreendidos pela polícia desapareceram do Instituto Médico Legal de Campinas. O depoimento de Lima foi suspenso porque os integrantes da CPI solicitaram documentação a respeito do inquérito que envolve os cinco traficantes presos em flagrante quando a droga foi apreendida, em um sítio na cidade de Indaiatuba (SP). As declarações do delegado não trouxeram novas revelações. Ele manteve a posição de que a cocaína estava sob a guarda do IML, que costuma ter sua própria segurança.
Neste momento a CPI está ouvindo o depoimento de José Roberto Rocha Soares, que na época era delegado da seccional de Indaiatuba (SP). Esta delegacia, segundo Ricardo de Lima, teria determinado a transferência da droga para Campinas. Rocha afirmou que apenas autorizou o pedido de Lima para a transferência da cocaína. Os integrantes da CPI desconfiam da falta de segurança para a droga guardada no IML. Lima respondeu que outras apreensões de porte semelhante tinham sido feitas e, da mesma forma, estocadas no IML, sem maiores problemas.
O ex-delegado reconhece, no entanto, que houve participação de policiais no desaparecimento da droga, ou por meio de informações para os autores do crime ou na execução do mesmo. "Quem foi roubar a droga sabia exatamente onde ela estava", disse. Durante seu depoimento, Lima disse também que nunca conheceu o empresário Willian Sozza, acusado de ser um dos líderes do crime organizado no Brasil, e que só manteve contatos profissionais com o advogado de Sozza, Artur Mathias.


