Curitiba - 60% dos crimes na Capital têm o envolvimento de detentos foragidos ou em regime semi-aberto da Colônia Penal Agrícola, localizada em Piraquara, na Região Metropolitana. A informação é do titular da Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba, Luiz Carlos de Oliveira. Um desses casos é a morte de um policial do Batalhão de Trânsito (BPTRAN), durante um assalto a uma farmácia. O acusado pelo disparo é Anderson de Souza, 29 anos, interno da colônia e que tinha permissão da justiça para passar os finais de semana em liberdade. Souza, que cumpria pena por furtos, levou três tiros e está internado no Hospital Evangélico.
''A Colônia Penal Agrícola funciona como um spa para o bandido. Eles vão pra rua, executam o que foi planejado e voltam pra lá pra planejar novos delitos. É um antro de formação de quadrilha'', desabafou o delegado, durante coletiva à imprensa, ontem à tarde.
A promotora de Justiça do Centro de Apoio às Promotorias Criminais, Júri e de Execuções Penais de Curitiba, Maria Espéria Costa Moura, confirmou o problema, e ressaltou que é de 85% o índice de reincidência nos delitos cometidos pelos detentos da Colônia.
Entre as alternativas para minimizar o problema, ela defende a implantação do monitoramento eletrônico, já em processo bastante avançado no Estado de São Paulo. Tratam-se de tornozeleiras e pulseiras com chip para monitorar o paradeiro do preso em saídas temporárias. A segunda alternativa que ela propõe é a identificação digital. ''O regime semi-aberto agrava a onda de violência. Eles procuram ter o melhor comportamento para mascarar a intenção de sair e roubar novamente'' diz a promotora.
Curitiba já sofre com a onda de assaltos em farmácias. No último assalto, foram levados R$ 1.177, três caixas de chocolate e quatro escovas de dente. Além do suspeito ferido, outro foi preso e dois estão foragidos. Procurada pela FOLHA, a secretaria estadual de Justiça recomendou repercutir o caso com o juiz da Vara de Execuções Penais, que não pôde atender a reportagem ontem à tarde.

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