Delegado denuncia fragilidade da PF na Amazônia Hugo Marques, especial para a AE
Brasília, 11 (AE) - O coordenador da Polícia Federal para o combate ao narcotráfico na Amazônia, o delegado Mauro Sposito, disse hoje que o trabalho da PF na região "deixa muito a desejar", por falta de recursos e de pessoal. O delegado disse que "estão fragilizando por demais" a PF na região e que isto seria um "processo político". O depoimento do delegado - que foi exonerado ontem do cargo de superintendente da PF, mas que continua coordenando o combate ao narcotráfico na região - deixou vários parlamentares preocupados quanto à precariedade do combate às drogas na Amazônia. A CPI do Narcotráfico vai enviar ofício ao ministro da Justiça, Renan Calheiros, pedindo reforço da PF na região.
Mauro Sposito disse que todo o orçamento operacional da Polícia Federal na Amazônia, para combate ao narcotráfico, foi de R$ 4 milhões no ano passado. O delegado disse que necessitaria de pelo menos 90 agentes para realizar um controle satisfatório na Amazônia, mas que possui apenas 15 agentes na Delegacia de Repressão aos Entorpecentes (DRE) na região para combater o narcotráfico e ainda cuidar da segurança na superintendência. Ao todo, a PF tem 85 homens na região, mas para cuidar de outros crimes. Mauro Sposito deixou claro que inexiste suporte operacional para a ação mais eficiente da PF na Amazônia.
"Temos dois aviões apreendidos que não podem voar, por falta de manutenção", disse. As declarações de Mauro Sposito deixaram alguns parlamentares irritados. Os parlamentares chegaram a fazer referência à ajuda que o governo deu aos bancos Marka e Fontecindam, durante a mudança do câmbio, para criticar a falta de recursos para a Polícia Federal.
Sposito disse que a PF já cadastrou 740 pistas de pouso na Amazônia, destruiu 18 e deverá destruir mais três, que são clandestinas. O delegado sugeriu aos parlamentares que apresentem projeto de lei para o controle da distribuição de combustíveis para aviões na Amazônia, já que todas as aeronaves de pequeno porte que cruzam a área têm que descer para reabastecer. Mauro Sposito acredita que o controle sobre os vôos pode ser intensificado mesmo antes da implantação do projeto Sivam, de vigilância da Amazônia. Segundo ele, o combate à lavagem de dinheiro é uma das prioridades para a Polícia Federal na Amazônia. O delegado afirmou que é necessário maior atenção sobre as casas de câmbio e deixou claro que grande parte das investigações sobre lavagem de dinheiro chegam às casas de câmbio. "Essas casas de câmbio não têm controle efetivo e a lavagem de dinheiro sempre esbarra nelas", disse.
Ele afirmou ainda que as celas de algumas cidades da Amazônia estão cheias de "mulas", que são pessoas pagas pelos traficantes para transportar drogas, a preço baixo. Para ele, isto é um problema social e defendeu um sistema de diminuição da pena destas pessoas.
A CPI do Narcotráfico deve realizar à noite uma reunião secreta com Mauro Sposito. A CPI quebrou o sigilo bancário e fiscal de 20 estrangeiros extraditados pelo Brasil por envolvimento com drogas, entre eles a traficante colombiana Mary Valença. Os parlamentares acreditam que será possível chegar às pessoas ligadas a estes traficantes no Brasil.
Ministros - A CPI decidiu convocar para depor várias pessoas, entre elas os ministros da Educação, Paulo Renato, e da Saúde, José Serra.





