Delegado defende investigação do caso Tayná
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quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - Depois de três meses preso, o delegado afastado e ex-titular da Delegacia do Alto Maracanã, em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba), Silvan Rodney Pereira, um dos suspeitos de ter praticado tortura contra os acusados de matar a adolescente Tayná Adriane da Silva, de 14 anos, em junho deste ano, falou sobre o caso numa coletiva realizada ontem à tarde, em Curitiba, um dia depois de deixar o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope).
Como primeiro delegado a cuidar do crime, ele voltou a defender o trabalho de investigação realizado na época e afirmou que os autores do assassinato são os quatro homens que atualmente estão incluídos no programa de proteção a testemunhas. Pereira ainda negou veemente a prática de tortura ou de qualquer agressão contra os suspeitos na delegacia de Colombo.
"Na minha delegacia, na minha presença, eles não sofreram nenhum tipo de agressão. Assisti todos os vídeos dos interrogatórios e nenhuma testemunha fala que viu o delegado Silvan agredindo alguém. As agressões, se ocorreram, foram praticadas nas delegacias de Campo Largo e Araucária, para onde os presos foram levados. Solicitei a transferência por medida de segurança", afirmou o delegado.
Pereira aponta que dois dias após o desaparecimento da jovem os rapazes foram presos e dormiram na Delegacia do Alto Maracanã e que, no dia seguinte, foram encaminhados para as delegacias de Campo Largo e Araucária. De acordo com Silvan, quando soube das reclamações ele emitiu uma requisição de exame de lesões corporais. "Encaminhamos o laudo para o Instituto Médico Legal (IML) e também informamos a Corregedoria da Polícia Civil para que providências fossem tomadas, mas estes documentos não foram juntados quando foi pedida a minha prisão e a dos meus policiais. O Gaeco ignorou este exame dizendo que o laudo foi mal feito. As lesões existem, não podemos negar isso, mas faltou individualizar condutas, apontar onde e quando ocorreram", disse.
Crime
Mesmo com toda a repercussão e com os suspeitos ainda soltos, o delegado reforça que os quatro rapazes são os autores do crime. Silvan Pereira informou que, diante da confissão, autuou os suspeitos em flagrante. "Não tenho dúvidas do que aconteceu. Dissemos a um dos suspeitos que tínhamos tudo gravado e ele falou, espontaneamente, que havia ido até o parque, mas que não tinha feito nada. A partir daí foi só deixar eles discutirem para saber quem tinha feito o quê. Eles confessaram e não foi mediante tortura", destacou.
Outros presos
O advogado dos sete policiais civis, que ainda estão presos na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV), informou ontem que entrou com um pedido de redução do valor da fiança. O pedido foi protocolado no Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) de manhã. A liberação foi condicionada ao pagamento de fiança de R$ 10 mil. Somente o delegado Silvan Rodney Pereira pagou o valor e foi solto.
Conforme o advogado André Luiz Romero, dependendo da decisão, o pedido terá que ir para votação do colegiado do TJPR, que tem reunião amanhã. "O argumento para o pedido é que o valor da fiança que foi arbitrada é surreal para a realidade dos policiais", disse.


