Delegado de Ivaiporã dá voto de confiança aos presos
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terça-feira, 07 de abril de 2009
Evandro Fadel<br> Agência Estado 
Curitiba - Enfrentando problema de superpopulação carcerária - 101 presos onde caberiam 32 -, o delegado de Ivaiporã (110 km ao sul de Apucarana), Osnildo Carneiro Lemes, fez um acordo com os presos, pelo qual ele libera os corredores para que passem as noites, com a promessa de que não haverá nenhuma tentativa de fuga. ''Resolvi dar um voto de confiança'', disse o delegado. O acordo está valendo há sete meses e até agora ninguém fugiu, pelo contrário.
No início de fevereiro, alguns presos teriam descoberto uma broca que serviria para perfurar uma laje. ''Eles pegaram a broca e deram uma dura nos presos que estavam com ela'', afirmou Lemes. Afinal, se houver um deslize, todos voltarão às celas e precisarão se revezar para dormir. ''Tudo foi feito com dignidade e respeito e eles estão correspondendo'', ressaltou o delegado, que tem autonomia na administração do local.
A cadeia atende, além de Ivaiporã, os municípios de Jardim Alegre, Lidianópolis, Arapuã e Ariranha do Ivaí, num total de 56,1 mil habitantes. ''Se tivesse dez ou 12 policiais militares para fazer a guarda externa e dois ou três carcereiros poderia até impor um regime carcerário diferente'', acentuou o delegado. Mas ele conta apenas com um investigador, um escrivão e dois carcereiros.
Na noite de segunda-feira e na madrugada de ontem, em razão dos plantões, o próprio delegado tomou conta da carceragem. ''Quem não dispõe de recursos tem que ser criativo e usar de artifícios para tentar resolver a questão'', disse.
Protesto
Em 31 de março, entidades da sociedade civil e associações de moradores fizeram um protesto nas ruas da cidade pedindo mais policiamento. O prefeito Cyro Fernandes Correa Júnior (PT) disse que estava tentando agendar uma reunião com a Secretaria de Estado da Segurança Pública para apresentar as reivindicações dos moradores: uma nova cadeia pública, uma Delegacia da Mulher, uma subdivisão policial com mais policiais e infraestrutura, e uma companhia independente da Polícia Militar. ''Para quem está fora da cadeia, a atitude do delegado é temerosa, porque fica dependendo da credibilidade dos presos, mas ele é um artista por ter conseguido estabelecer esse pacto'', disse o prefeito. ''É lamentável chegar a esse estágio.''
O delegado-chefe da Divisão de Policiamento do Interior, Luiz Alberto Cartaxo de Moura, reconheceu a ''situação dramática'' do sistema carcerário, em razão de mais de 10 mil presos espalhados pelo Estado. ''Todas as cadeias estão superlotadas'', destacou. Segundo ele, o governo já autorizou a instalação de celas modulares para minimizar o problema. Moura disse não considerar a alternativa encontrada pelo delegado como ''a mais correta'', no entanto, reconheceu que é uma forma criativa e emergencial para ganhar tempo, até que os presos condenados sejam removidos.
A assessoria da Secretaria da Segurança Pública afirmou que a Escola da Polícia Civil deve formar novos investigadores nos próximos dias, que serão distribuídos pelo Estado.


